pausa pra reflexão...

bem vindo ao meu cantinho...

sábado, 26 de dezembro de 2020

Jesus, o revolucionário...




Sobre Jesus: Um emaranhado de conceitos e teorias a seu respeito.Ateus o ridicularizam, cristãos o deturpam, céticos o observam com curiosidade...Mas, independente de tudo isso, o que não se pode negar é que ele foi um revolucionário em seu tempo. Um ser que demonstrou um amor profundo aos pobres, uma intolerância muito clara às injustiças e sobretudo, uma inteligência tremenda para pregar a revolução de forma pacífica.

Hoje, eu sei que o cristianismo está muito longe de seus objetivos, de sua revolução. Constantino o adaptou às suas conveniências e nossos contemporâneos o deturpou em função de seus interesses, os mais mesquinhos possíveis e que atendem bem ao sistema vigente.
Mas e Jesus?
Quem pode dizer que Ele pregava a submissão dos pobres aos ricos, se foi Ele o precursor da conscientização dos menos favorecidos em relação à igualdade de direitos?
Quem pode dizer que Ele queria "amansar o boi" para que fossem ao matadouro, se foi Ele quem, em um tempo conturbado, de escravidão e miséria, levantou a autoestima de um povo subjugado por impérios e por religiosos ávidos por poder?
Não! Não mesmo! Os ateus falam do que sequer se dispõem a conhecer e O julgam com o mesmo radicalismo que os escribas e fariseus o julgaram em Seu tempo!
Os céticos o desacreditam baseando-se em suas próprias verdades absolutas, o enxergando com olhos contemporâneos, sem levar em conta que Ele encarou em seu tempo uma sociedade patriarcal que suprimia a participação em igualdade dos gêneros, na vida cotidiana.
Os cristãos ... ahh muitos o condenaram ao vexame religioso das trocas, dos sacrifícios, das promessas de redenção convenientes...
Mas NINGUÉM é credenciado para desmoralizá-lo, quando leva-se em conta suas palavras de JUSTIÇA, IGUALDADE, AMOR E REVOLUÇÃO.
Jesus não precisa de advogados. Ele basta-se a si mesmo.
suas virtudes como Homem ( e digo como Homem e não como Filho de Deus) são suficientes para calar a boca de qualquer um que se diga sábio.
Nem tantas filosofias, nem tantos conhecimentos...nada disso supera a simplicidade e sabedoria de alguém que tratando com simples e humildes, dispôs-se em amor para promover uma revolução.
Se Ele estivesse aqui, provavelmente seria crucificado de novo, por tantos "sábios" que tornaram-se loucos diante de Sua Sabedoria.

sábado, 6 de junho de 2020

A FACE DA MALDADE BRASILEIRA...


a face da maldade - Blog do Nélio


Tanta coisa aconteceu desde a última postagem, que fica complicado fazer um remake à altura. Desde que o golpe foi instituído, este país parece descer ladeira abaixo, em alta velocidade e pior, sem perspectiva de que alguém assuma o comando e retome a condução.

Mas, para piorar e muito nossa expectativa de futuro, além daquelas medidas administrativas de cunho econômico, político e  social, tem ganhado destaque uma classe de pessoas da sociedade brasileira que se mostra de uma perversidade inominável. Não me refiro àqueles de verde amarelo, imbuídos de uma ignorância política absurda, mas a pessoas específicas.  Essas pessoas, que por seus pensamentos e atitudes, demonstram quase que uma psicopatia, não são capazes de desenvolver o mínimo de empatia. Nem por animais, nem por seres humanos, nem por nada, nem por ninguém.

Racismo, homofobia, elitismo, misoginia, roubo, assassinato e mais um monte de práticas perversas e abomináveis, fazem parte da “normalidade” para essas pessoas, desde que as vítimas sejam pobres e fora do seu campo de interesses. E estou falando de gente de perto da gente também. Gente da família, da escola, do bairro ... além daquelas que normalmente o são: os ricos. 
Conclui-se que esse tipo de gente, os psicopatas, não tem classe social. Não são só da classe média ou alta. Elas estão em todos os lugares, de todas as classes. Óbvio, que visibilidade se tem quando é alguém pobre, ou classe baixa. Mas este tipo específico de gente do mal, não tem classe social. Pode ser um policial,  professor, lavador de carros, industrial, uma esposa de prefeito corrupto, um senador, um presidente da República. Porque o caráter não está no bolso. Este tipo de caráter é inato. É questão de índole. Essa gente do mal nasce assim...eles não se importam.
Coisas que pra nós são terríveis, como a do menino que caiu do prédio por negligência e maldade de uma egoísta, psicopata, para essas pessoas específicas, não significa nada. Eu li que tem gente considerando que a mulher não tinha obrigação de cuidar do filho da empregada e aí, desprezam o fato de uma adulta deixar uma criança sozinha em um elevador.

Não sei o que pensar nem o que sentir mais, pois é um emaranhado de dor e revolta, ressentimento e mágoa, que consome quem não faz parte desse grupo de perversos.
O jeito é seguir e continuar lutando pra ocupar os espaços, até que estes daí sejam uma minoria inútil, fadada ao ostracismo , que é o lugar que merecem.




sexta-feira, 15 de março de 2019

A Falácia do "Padre Fábio"


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Um suposto texto do Padre Fábio de Melo, conhecido por ser padre e artista, formado em teologia e filosofia, está circulando nas redes sociais, no qual ele teria apresentado possíveis motivações para o massacre ocorrido em Suzano. No texto, o autor procura eximir de responsabilidades o governo mesmo diante do fato de que este, desde sempre, cultua o uso de armas e a violência como meio de solucionar conflitos, além da estratégia de eliminar “inimigos” através da morte; cita em sequência,  também excluindo das possíveis causas de tamanha tragédia, jogos violentos, o bullyng e a omissão das escolas (não especificou em que sentido). Em seguida, nomeia como causa a desestruturação das famílias, a falta de diálogo, este  substituído por redes sociais e ainda, os “presentes” como moeda de troca para se cumprir direitos e deveres e por último, o que ele chamou de “desconhecimento de deus”.

Abaixo, uma análise a respeito do discurso atribuído ao padre, o qual levarei em consideração como fundamento de sua análise, a formação religiosa e moral familiar deste, e que representa bem grande parte da ala conservadora de nossa sociedade. Isto, porque a  "moral e bons costumes" ditados pela formação religiosa, influencia na compreensão de conceitos como família, estruturas sociais, deus, deveres e direitos, escola e sobretudo, governo como Estado – instituição político-administrativa responsável pela manutenção da lei, ordem, dignidade e sustento de toda a sociedade nas áreas da educação, saúde e segurança.

Relembrando crimes cometidos contra estudantes no Brasil, estes tiveram início em 2011, em uma escola situada no Rio de Janeiro, Realengo, com saldo de 22 feridos e 13 mortes (incluindo o assassino). Em 2017, no Estado de Goiás, além de 2 óbitos, uma aluna ficou paraplégica e três gravemente feridos. Em Janaúba, MG, no mesmo ano, uma creche foi incendiada por um segurança, deixando um saldo de 14 mortes e 37 feridos com queimaduras severas.

Analisando os casos, o que há em comum entre os crimes é a expressão e manifestação  do ódio, da vingança e da determinação de pessoas que aparentemente, possuíam como motivação, no caso dos dois primeiros, a prática do bullyng e no último, indícios de doença mental, a esquizofrenia. Em todos os crimes, a incapacidade do indivíduo em lidar com as dores pessoais, provocadas por negativas ou críticas destrutivas por parte do outro, é latente.

Mas o que de fato chama atenção para tais práticas, é a reação da sociedade e dos governos diante dos massacres. Contextos que devem ser considerados estão sendo esquecidos propositalmente por alguns ou por puro desconhecimento ou ausência de uma reflexão mais profunda, por outros . Se analisarmos os países em que há maior incidência deste tipo de crime, entenderemos que o fator socioeconômico, é irrelevante para determinar ou ao menos se relacionar às causas. Alemanha, Canadá, Estados Unidos, são campeões em matéria de massacre de estudantes, países em que o desenvolvimento econômico é historicamente superior ao do Brasil.

Porém, o contexto sociocultural, e no caso do Brasil especificamente, somado ao contexto sociopolítico , são determinantes para se compreender não a motivação em si (uma vez que é individual e somente quem praticou o ato é que será ou seria capaz de explicar de forma contundente), mas o conjunto de fatos que influenciam, facilitam e ainda, por negligência, permitem que tais massacres aconteçam.

O padre Fábio, não compreende tais contextos, ou não os identifica como facilitadores ou influenciadores, já que para ele, a desestrutura familiar não se relaciona com a cultura dominante ou com o Estado e as negligências na execução de suas prerrogativas como poder público e administrador da sociedade. O Padre precisa compreender que existem inúmeros fatores que causam desestruturas em famílias, além da falta de uma religião. A própria educação moral da sociedade brasileira é violenta, machista, misógina, homofóbica, racista. Sendo o país um dos maiores redutos da fé cristã, crescemos sob a dominação da moral punitiva, excludente, severa. Logo, em famílias “estruturadas” sob esta moral, principalmente as famílias tradicionais e consideradas de “bem”, onde o modelo familiar é o da união hétero-cristã, a violência e o massacre são particulares, não publicizados ou não executados em forma de crime em massa. Sob este aspecto e considerando todos os estereótipos criados pela moral familiar hétero-cristã patriarcal da sociedade brasileira, o fator “educação familiar” como fundamento para a formação do caráter de um jovem, talvez se constitua o fator mais relevante como contribuição para a eclosão do ódio e matança.

Famílias que se negam a progredir em relação aos direitos coletivos, cultuadores de uma moral que segrega e ridiculariza pessoas diferentes, amantes do caráter violento que prega o culto às armas e usa a violência como resolução de conflitos, homens que submetem mulheres a agressão doméstica por crer em sua “inferioridade” de gênero, radicais religiosos que enxergam a homossexualidade como crime contra a natureza humana e uma lista infinita de posturas radicais, conservadoras e carregadas de discursos de ódio, são um celeiro para a projeção de inimigos imaginários, contra os quais, jovens incapazes de lidar com a própria dor , se constituem por assassinos impiedosos, com armas de fogo, machadinhas e bestas, como aqueles heróis dos jogos em que, se perderem, podem começar a jogar novamente, contrário do ceio familiar em que, negligenciados pela própria moral, a morte lhes cai bem.

Entra em cena então, o contexto sociopolítico. Sabemos que desde a queda da ditadura, é a primeira vez que a relação entre a população e o Estado tem experimentado (de uma perspectiva otimista), certa liberdade de expressão facilitada principalmente pelo uso massivo das redes sociais. Atualmente, é possível debater assuntos polêmicos e manifestar opiniões, independente se estas são consideradas politicamente corretas ou não e com a liberdade que provavelmente, nem em casa diante da família, é possível. Nas redes sociais e aí, concordo com o padre quanto a falta de diálogo familiar, substituído por tecnologia, podemos interagir em tempo real com pessoas de várias partes do Brasil e do mundo e falarmos de absolutamente tudo, inclusive em grupos fechados que atraem pessoas com a mesma ideologia ou filosofia de vida. E é neste momento que entra a responsabilidade do Estado, como administrador da sociedade constituída por forma e sistema de governo, leis e regras de conduta: O Estado tem cumprido suas prerrogativas a ponto de se não evitar, ao menos identificar possíveis condutas de risco dentro das escolas, nos bairros, nas cidades?

Quando cito o “Estado”, incluo todas as estruturas possíveis, que se submetam a sua gestão sob a propositiva de um Estado-nação. Inclusive a estrutura familiar. É dever do Estado combater todo o tipo de discriminação, preconceito, prática da violência. É dever do Estado aparelhar as escolas, os hospitais, as praças, as instituições de segurança pública, contra crimes de quaisquer naturezas, inclusive o crime contra a natureza. É dever do Estado, através das escolas, dos conselhos tutelares, e de diversas outras instituições que atuem diretamente como interventoras no processo de construção social, usar de todos os meios possíveis para se promover a conscientização sobre igualdade de direitos, direito à diferenças, a liberdade de escolha, para que assim promova harmonia e a segurança de todos.

Logo, o padre Fábio falou a partir de seu quintal, de sua criação, de sua moral religiosa. A igreja tem criado e fomentado um deus vingativo, é só ler as cartas deixadas pelo aluno em realengo. O Estado tem incitado à violência, tem cultuado as armas e tem pregado a morte de inimigos. Tem sido historicamente omisso no que se refere as estruturas das instituições públicas imprescindíveis para a atuação em casos de desestrutura familiar.

O padre Fábio, criou uma falácia.
Não repitam.
Marcia. Professora de História
Mestranda em Educação e Docência.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

A Eleição de Bolsonaro ... a novela brasileira que repercutiu no mundo todo...

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Desde 2012, tenho publicado aqui neste blog, vários textos a respeito do avanço da ultra direita no Brasil e no mundo.
E desde 2012, mais especificamente, a Europa tem sinalizado o crescimento dos partidos nacionalistas de extrema direita.
Na França, berço da Revolução Francesa por exemplo, partidos nacionalistas como o Le Pen, alcançaram votação expressiva nas eleições de 2012.
Já na Ucrânia, também em 2012, o partido Svoboda, de extrema direita, alcançou espaço político, convocando grupos sociais conservadores, com discursos nacionalistas e extremistas sob a bandeira anticorrupção. Conseguiram depôr o governo e dominaram o poder no país. 

Aqui no Brasil também passamos por algo parecido. Em 2013. Sob a bandeira dos "0,20 centavos", mobilizou-se uma grande manifestação por todo o país, a qual foi ganhando corpo a medida em que grupos políticos se aproveitavam para engrossar o coro dos "descontentes". Cheguei a postar neste blog uma análise bem primária sobre as manifestações, pois no olho do furacão, costumamos ficar míopes...Em um trecho de um dos textos, transcrito abaixo, chego a fazer uma espécie de "previsão", apesar  que estava tudo muito óbvio, mas  minha visão míope ainda não enxergava: 

 "Estão gritando nas ruas que chegou o tempo de mudança. Querem respostas...estão amadurecidos. Não querem continuidades mascaradas de rupturas...aquelas em que mudam personagens, mas o enredo é o mesmo.

O problema é a massa inculta que adere a movimentos espontâneos e sem critérios...movimentos estes que deturpam a originalidade da ação... causando reações perigosas, pois se transformam em "celeiros" para oportunistas.

Mais indignação, menos irresponsabilidade.

Pense antes de compartilhar frases, postagens que não representam realmente a voz desta manifestação."

texto pode ser lido na íntegra no link https://historiacorrente.blogspot.com/2013/06/que-e-massa-eu-seimas-se-e-de-manobraai_19.html#more


Mas, passado algum tempo, foi possível compreender quais foram as forças políticas que utilizaram-se de movimentos sociais e pautas legítimas, para promover um dos maiores golpes na história deste país. 

É complicado como historiadora, usar a palavra "golpe", mas aqui, não estou analisando os fatos como historiadora, estou usando-os para conceber uma visão política que se aproxime o máximo possível do contexto que estamos atravessando: a eleição de Bolsonaro. 

Pois bem. O que há em comum entre Brasil, Ucrânia, França, enfim, a Europa e os movimentos de extrema e ultra direita? Neste texto, vou chamar de maneira hollywoodiana, de "A Origem".  A questão é  que aqui, como sempre foi a "história" toda, quase todos os processos de ruptura ou continuísmo, se caracterizam pelo avesso. Se não são ao avesso, são aos trancos e barrancos. Se não aos trancos e barrancos, são a versão comédia das coisas sérias que acontecem no mundo.  Digo isto, me lembrando da nossa "Monarquia Constitucional" , da "extinção" da escravidão e o processo que a envolveu, a "proclamação" da nossa República e por aí vai,  porque se for pautar de Getúlio pra cá,  entraremos em pânico ao perceber que realmente somos muito atrapalhados em relação ao resto do mundo. 

Voltando à ascensão da direita e extrema direita na Europa e no Brasil, fato é que aqui, os grupos conservadores enxergaram no bipartidarismo PT X PSDB, o qual protagonizou uma luta ferrenha no legislativo e executivo, com anuência do judiciário, a oportunidade de chegar ao executivo nacional e colocar em prática todas as suas mais fantasiosas e nocivas ideologias, desde questões de gênero à movimentos sociais. Mas, como se deu tudo isso? Acredito que, enquanto Aécio, todo choroso e derrotado pelo PT em mais uma eleição, pirraçava e esbravejava contra Dilma no senado, e por outro lado o PT, vitorioso,  acima do bem e do mal, como se nada o abalasse além do incômodo choro alto do oponente, os direitistas foram se infiltrando e lançando ideias nacionalistas, anticorrupção e cheias de moralismos retrógrados, mas que atendem bem à sociedade provinciana que se constituiu desde o império. 

E foi neste contexto que, "A Origem", de maneira oportunista e considerando os acontecimentos lá fora, passou a influenciar e financiar tais movimentos. Criaram partido político e ganharam as redes sociais. Através das redes sociais, ganharam os jovens, esses pobres jovens analfabetos funcionais, que governos anteriores (todos eles) negligenciaram e não se preocuparam em formar consciência crítica e promover sua participação política. Através dos jovens, ganharam os pais dos jovens, esses também com formação precária e entregues à religiosidade, já que a geração de hoje, "só Jesus salva'. Foi uma espécie de jogo.  Todas as peças sendo alcançadas e derrubadas. E no final, conseguiram eleger, através de uma disputa patética e que até hoje não se explica do ponto de vista daqueles que possuem o mínimo de conhecimento sobre política, um ser amoral, conservador, desequilibrado, incapaz de produzir uma única frase sem cometer erros dos mais absurdos, com uma equipe completamente despreparada e perdida em todos os aspectos.  Elegeram um ser que se diz da "direita", mas que não é capaz sequer de traduzir  a própria ideologia a que se autodetermina. Um ser rodeado por filhos e grupos de militares que falam em "ideologia marxista", em "socialismo", em "ideologia de gênero", sem nunca ter tido o trabalho de ler um pequeno artigo que tratasse desses assuntos, para pelo menos falar algo que se aproximasse da realidade, fundamentando assim, mesmo que de forma precária, o que acreditam. Sem programa de governo. Sem participar de debates. Ameaçando vidas, grupos sociais desfavorecidos e minorias já tão oprimidas ao longo da história. Conseguiram eleger um fantoche. um Ventríloquo. 


Mas, "A Origem" não se importa com nada disso. Não se importam com gays, com negros, nem com marxismo ou comunismo. "A Origem" só enxerga nossas riquezas naturais, nosso petróleo, nióbio, água, ouro, minério, mão de obra, assim como enxergava o gás da Ucrânia. o petróleo da Líbia, da Síria, do Iraque. "A Origem" está preocupada com o avanço da China e Rússia no mercado internacional. 

Enfim, sinto vergonha da nossa direita. Chegaram a comparar o Bolsonaro a Hitler, mas ele não chega sequer a unha do dedão do pé do austríaco. Dissemos que ele é fascista, mas nem pra fascista ele serve. Fato é que a nossa direita, não é real. Ela é subserviente. Serve a quem serve alguém. E aí sim, esse "alguém', "A Origem", essa "organização" que nos submeteu a este golpe, a este governo patético, é ela que de fato preocupa. Porque esse "alguém" nem ideologia tem. Possui apenas conta bancária. E deseja dividendos. Deseja capital.  Bolsonaro é só um laranja... assim como o motorista dele, o Queiroz. Um laranja que, oportunamente, foi conduzido ao cargo mais importante da nação mais rica em recursos naturais do planeta, em nome da "direita", da religiosidade, da moral e "bons costumes". E assim como os demais fantoches de "A origem", Bolsonaro cairá, de maneira vergonhosa e entrará para a história como o político mais atrapalhado e patético da história do Brasil. 

só lamento, não por ele...mas por nós. 






" Gênero não é ideologia"...

           Interessante artigo que trata de questões relativas a expressão "ideologia de gênero". Essa expressão foi criada por grupos sociais conservadores para designar o que eles acreditam ser nocivo à crianças e adolescentes em idade escolar, atribuindo a prática de supostos estudos doutrinadores à favor da homossexualidade e também de práticas criminosas como pedofilia, por exemplo.
               O autor elucida com objetividade que questões de gênero não são ideológicas, portanto, não existe ideologia de gênero e sim estudos que buscam posicionar ambos os sexos para além do que se estabelece como heteronormativo dentro de uma sociedade, pois independente de sexo ou gênero e toda sua historicidade, o fator ser humano se sobrepõe e é ele quem deve nortear os direitos políticos, civis e sociais de todos. Por fim, trata da questão do respeito, da diversidade, da heterogeneidade que compõe a civilização humana, o que constitui violência todas as ações que se impõem baseando-se em uma concepção binária homem/mulher...no nosso caso, rosa/azul, como alega a tal ministra.
vale a leitura...


Do site café história ...

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domingo, 9 de julho de 2017

SOBRE 28/04 - o Selfie perfeito!

                      

                         Tudo muito bem organizado. Vários sindicatos e movimentos sociais, articulados e engajados na marcha para o planalto. Chegamos por volta das nove da manhã depois de mais de doze horas de viagem.  Vi pessoas de vários segmentos profissionais, além de ativistas políticos.
Os caminhões dos sindicatos, sempre animando a “galera” com músicas revolucionárias e voluntários que se alternavam ao microfone, sempre com palavras de ordem, de ânimo para a luta.
Nós estávamos próximos ao sindicato dos metalúrgicos. Aquele sindicato do “Paulinho da força”, o qual se uniu ao golpe e acabou eleito para deputado federal. Claro, mais um envolvido em desvio de vergas em que a Globo conta, foi “utilizado para promover cursos profissionalizantes para desempregados”. O que a Globo não conta é que o FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador, é uma máquina de desvio de verbas e pagamento de propina. Mas isso fica para uma outra hora.

                       Voltando, o sindicato dos metalúrgicos, bem próximos ao caminhão da CUT onde estava a Beatriz Cerqueira, promoveu um duelo de discursos. De músicas. De gritos de guerra. Beatriz, com sua capacidade impressionante de reconhecer quando a coisa extrapola o limite do razoável, pediu ao interlocutor do caminhão dos metalúrgicos, para que se afastasse um pouco, pois os manifestantes não conseguiam entender nem um nem outro. Eu ri. Dei gargalhadas para ser mais sincera. Achei tão patético essa postura de ambos os lados, que não tive outra reação. Mas, o embate durou por cerca de meia hora. Durante esse tempo, transitei entre os manifestantes do Paulinho e perguntei aonde ele estava: “uai...kd o Paulinho gente?”. Não me respondiam. Pelo contrário, fechavam a cara como se me dessem o recado: saia daqui antes que a coisa esquente.
Mas tudo bem. Voltei para os meus e continuamos a “luta”. Tirei fotos com movimentos sociais variados. O MST foi o que mais gostei. Uma senhorinha com rosto cansado, sentada ao chão segurando a bandeira do movimento, topou posar comigo para o selfie. Lá fui eu, minha colega de luta e a senhorinha. A foto ficou “chic” demais, está aí na galeria. Confira.

                     Quando iniciamos o trajeto até o planalto, me senti uma genuína revolucionária! Debaixo de um sol escaldante, com fome, sem banho, pernas doendo, seguia cantando e caminhando; ou seria o inverso? Mas o importante é que eu estava ali, participando daquele momento histórico maravilhoso. Umas cento e cinquenta mil pessoas, gritando palavras de ordem, dispostos e acampar no espelho d’água em franca luta por manter seus direitos!

                         Mas, ao chegarmos na esplanada, eis que se misturam aos manifestantes de vermelho, verde e amarelo, um grupo razoável de adolescentes franzinos, carregando paus, portando máscaras e com cara de pouco amistosos. Passaram por nós e meu coração acelerou ainda mais: são os “black blocks”. Foram direto para o lado direito do espelho d’água. Não deu dez minutos, começou a correria. As bombas. Os gritos. Era uma multidão vindo em minha direção, além da fumaça do gás de pimenta, o qual ardeu minha cara e minha garganta de forma que me fez pensar que morreria asfixiada. Meu colega coitado, dizia, vamos...vamos... mas ao avistar a fumaça e sentir seus efeitos, corríamos junto com a multidão, pra longe dela.

                 No entanto, um grupo de manifestantes continuava a seguir e tentar entender o que acontecia. Segundo informações, os manifestantes com bandeiras, desarmados e sem pedras, “quebraram vidraças” e tentaram colocar fogo em um dos prédios. Ué, pensei eu: sério? Não. Não era sério. Era piada pronta. Os “blacks” armados e protegidos por máscaras, o fizeram. E a Guarda avançou sobre nós, os manifestantes.

                    Eu não precisei seguir pra entender. De onde estava vi que tudo não passava de um teatro. Como sempre. De uma armação bem articulada de todos os lados. De uma situação corriqueira neste país de bananas.

                Os blacks, representando o governo, as centrais sindicais, representando os que representam o governo. Ou seja, tudo era governo.
Eu era governo. A bomba, era governo.
Foi um fiasco. Não digo que quem estava ali, quem se dispôs a passar fome e frio, falta de banho, tinha participação voluntária ao teatro, ao circo armado. Mas afirmo que toda essa articulação não passou de mais um golpe.

                          Por que? Simplesmente porque o cara continua lá. O congresso nacional e o senado continua aprovando tudo. Arquivando crimes de senadores, deputados. Os sindicatos continuam com as micaretas apoiados pelas centrais.  E a nossa greve, nosso esforço, só fortaleceu o governo golpista. Desmotivou gente que como eu, luta desde adolescente por justiça social. Porque hoje, as plenárias, as deliberações dos sindicatos, discutem a “bandeira” que irão assumir nas manifestações e não a pauta nacional. Chega ao absurdo de em uma plenária, representantes de partidos políticos de esquerda, invocarem embates entre a esquerda, para ver quem tem mais razão. E nesse tempo, a direita continua firme, articulada, forte, engajada na destruição de nossa economia, de nossos direitos. E o povo continua “parado, com cara de veado que viu caxinguelê”.

Mas, pelo menos fiz uns “selfies”.
A luta? Ah, continua. Fazer o quê né?


quinta-feira, 27 de outubro de 2016


OCUPA TUDO!!!!

     O último movimento estudantil de fato, que se tem notícia, foi o de 1992, com o impeachment de Fernando Collor. Depois disso, ocorreu o movimento “passe livre” que ainda não se pode  dizer que foi articulado exclusivamente por estudantes  e muito menos que foi um movimento espontâneo.

        Mas de um ano pra cá, estão ocorrendo sucessivos movimentos estudantis chamados de “ocupações”. O que são essas ocupações? É um movimento  articulado por estudantes, apoiados por instituições estudantis como UNE, UBES, AMAS, UJS. Esses manifestos de ocupação objetivam protestar contra medidas adotadas pelo Estado, em detrimento aos interesses da comunidade escolar.

      Os estudantes paulistas se reorganizaram durante a tentativa de reforma do ensino proposta pelo governo Alkimin, em setembro de 2015.  Por quarenta dias, deram seu recado ao governo e à sociedade. E este teve de voltar atrás em suas decisões e considerar os interesses da comunidade escolar.

       Atualmente, as ocupações são contra a PEC 241, a PEC da morte. A tal “redução de gastos” do governo que irá congelar investimentos nas áreas sociais, principalmente educação e saúde, por nada menos que vinte anos!

       Existem vários argumentos pró PEC e até mesmo pessoas que serão afetadas por essa medida, se manifestam favoráveis. Acham que o povo deverá pagar a conta pela má administração de governos de mais de 30...40 anos...

        O governo atual, atribui a dívida pública aos investimentos nas áreas sociais que foram feitas pelo governo do PT. Mas omite o fato de que a dívida pública sempre existiu e que pela primeira vez, coexistiu com investimentos sociais . Ou seja, a dívida não é nossa. È dos desvios de verbas, é do rombo da previdência, é dos gastos com salários exorbitantes com parlamentares viciados em corrupção...enfim...não é nossa!

Não é, porque apesar dos investimentos do governo petista nessas áreas...ainda temos um educação de má qualidade, hospitais sucateados e pouquissima infraestrutura pra um país do tamanho do nosso. 

Mas, no atual contexto, lutar contra um medida desta proporção, a qual tem apoio de um grupo enorme de conservadores elitistas que jamais pensaram na população carente, é como um anão lutar contra um gigante. 

O bom é saber que nosso anão está sendo alimentado diariamente com as ocupações de jovens de uma geração que parecia perdida. Se não vencermos o gigante por ora..pelo menos iremos crescer muito... muito...

valeu juventude politizada!!