pausa pra reflexão...

bem vindo ao meu cantinho...

domingo, 9 de julho de 2017

SOBRE 28/04 - o Selfie perfeito!

                      

                         Tudo muito bem organizado. Vários sindicatos e movimentos sociais, articulados e engajados na marcha para o planalto. Chegamos por volta das nove da manhã depois de mais de doze horas de viagem.  Vi pessoas de vários segmentos profissionais, além de ativistas políticos.
Os caminhões dos sindicatos, sempre animando a “galera” com músicas revolucionárias e voluntários que se alternavam ao microfone, sempre com palavras de ordem, de ânimo para a luta.
Nós estávamos próximos ao sindicato dos metalúrgicos. Aquele sindicato do “Paulinho da força”, o qual se uniu ao golpe e acabou eleito para deputado federal. Claro, mais um envolvido em desvio de vergas em que a Globo conta, foi “utilizado para promover cursos profissionalizantes para desempregados”. O que a Globo não conta é que o FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador, é uma máquina de desvio de verbas e pagamento de propina. Mas isso fica para uma outra hora.

                       Voltando, o sindicato dos metalúrgicos, bem próximos ao caminhão da CUT onde estava a Beatriz Cerqueira, promoveu um duelo de discursos. De músicas. De gritos de guerra. Beatriz, com sua capacidade impressionante de reconhecer quando a coisa extrapola o limite do razoável, pediu ao interlocutor do caminhão dos metalúrgicos, para que se afastasse um pouco, pois os manifestantes não conseguiam entender nem um nem outro. Eu ri. Dei gargalhadas para ser mais sincera. Achei tão patético essa postura de ambos os lados, que não tive outra reação. Mas, o embate durou por cerca de meia hora. Durante esse tempo, transitei entre os manifestantes do Paulinho e perguntei aonde ele estava: “uai...kd o Paulinho gente?”. Não me respondiam. Pelo contrário, fechavam a cara como se me dessem o recado: saia daqui antes que a coisa esquente.
Mas tudo bem. Voltei para os meus e continuamos a “luta”. Tirei fotos com movimentos sociais variados. O MST foi o que mais gostei. Uma senhorinha com rosto cansado, sentada ao chão segurando a bandeira do movimento, topou posar comigo para o selfie. Lá fui eu, minha colega de luta e a senhorinha. A foto ficou “chic” demais, está aí na galeria. Confira.

                     Quando iniciamos o trajeto até o planalto, me senti uma genuína revolucionária! Debaixo de um sol escaldante, com fome, sem banho, pernas doendo, seguia cantando e caminhando; ou seria o inverso? Mas o importante é que eu estava ali, participando daquele momento histórico maravilhoso. Umas cento e cinquenta mil pessoas, gritando palavras de ordem, dispostos e acampar no espelho d’água em franca luta por manter seus direitos!

                         Mas, ao chegarmos na esplanada, eis que se misturam aos manifestantes de vermelho, verde e amarelo, um grupo razoável de adolescentes franzinos, carregando paus, portando máscaras e com cara de pouco amistosos. Passaram por nós e meu coração acelerou ainda mais: são os “black blocks”. Foram direto para o lado direito do espelho d’água. Não deu dez minutos, começou a correria. As bombas. Os gritos. Era uma multidão vindo em minha direção, além da fumaça do gás de pimenta, o qual ardeu minha cara e minha garganta de forma que me fez pensar que morreria asfixiada. Meu colega coitado, dizia, vamos...vamos... mas ao avistar a fumaça e sentir seus efeitos, corríamos junto com a multidão, pra longe dela.

                 No entanto, um grupo de manifestantes continuava a seguir e tentar entender o que acontecia. Segundo informações, os manifestantes com bandeiras, desarmados e sem pedras, “quebraram vidraças” e tentaram colocar fogo em um dos prédios. Ué, pensei eu: sério? Não. Não era sério. Era piada pronta. Os “blacks” armados e protegidos por máscaras, o fizeram. E a Guarda avançou sobre nós, os manifestantes.

                    Eu não precisei seguir pra entender. De onde estava vi que tudo não passava de um teatro. Como sempre. De uma armação bem articulada de todos os lados. De uma situação corriqueira neste país de bananas.

                Os blacks, representando o governo, as centrais sindicais, representando os que representam o governo. Ou seja, tudo era governo.
Eu era governo. A bomba, era governo.
Foi um fiasco. Não digo que quem estava ali, quem se dispôs a passar fome e frio, falta de banho, tinha participação voluntária ao teatro, ao circo armado. Mas afirmo que toda essa articulação não passou de mais um golpe.

                          Por que? Simplesmente porque o cara continua lá. O congresso nacional e o senado continua aprovando tudo. Arquivando crimes de senadores, deputados. Os sindicatos continuam com as micaretas apoiados pelas centrais.  E a nossa greve, nosso esforço, só fortaleceu o governo golpista. Desmotivou gente que como eu, luta desde adolescente por justiça social. Porque hoje, as plenárias, as deliberações dos sindicatos, discutem a “bandeira” que irão assumir nas manifestações e não a pauta nacional. Chega ao absurdo de em uma plenária, representantes de partidos políticos de esquerda, invocarem embates entre a esquerda, para ver quem tem mais razão. E nesse tempo, a direita continua firme, articulada, forte, engajada na destruição de nossa economia, de nossos direitos. E o povo continua “parado, com cara de veado que viu caxinguelê”.

Mas, pelo menos fiz uns “selfies”.
A luta? Ah, continua. Fazer o quê né?


quinta-feira, 27 de outubro de 2016


OCUPA TUDO!!!!

     O último movimento estudantil de fato, que se tem notícia, foi o de 1992, com o impeachment de Fernando Collor. Depois disso, ocorreu o movimento “passe livre” que ainda não se pode  dizer que foi articulado exclusivamente por estudantes  e muito menos que foi um movimento espontâneo.

        Mas de um ano pra cá, estão ocorrendo sucessivos movimentos estudantis chamados de “ocupações”. O que são essas ocupações? É um movimento  articulado por estudantes, apoiados por instituições estudantis como UNE, UBES, AMAS, UJS. Esses manifestos de ocupação objetivam protestar contra medidas adotadas pelo Estado, em detrimento aos interesses da comunidade escolar.

      Os estudantes paulistas se reorganizaram durante a tentativa de reforma do ensino proposta pelo governo Alkimin, em setembro de 2015.  Por quarenta dias, deram seu recado ao governo e à sociedade. E este teve de voltar atrás em suas decisões e considerar os interesses da comunidade escolar.

       Atualmente, as ocupações são contra a PEC 241, a PEC da morte. A tal “redução de gastos” do governo que irá congelar investimentos nas áreas sociais, principalmente educação e saúde, por nada menos que vinte anos!

       Existem vários argumentos pró PEC e até mesmo pessoas que serão afetadas por essa medida, se manifestam favoráveis. Acham que o povo deverá pagar a conta pela má administração de governos de mais de 30...40 anos...

        O governo atual, atribui a dívida pública aos investimentos nas áreas sociais que foram feitas pelo governo do PT. Mas omite o fato de que a dívida pública sempre existiu e que pela primeira vez, coexistiu com investimentos sociais . Ou seja, a dívida não é nossa. È dos desvios de verbas, é do rombo da previdência, é dos gastos com salários exorbitantes com parlamentares viciados em corrupção...enfim...não é nossa!

Não é, porque apesar dos investimentos do governo petista nessas áreas...ainda temos um educação de má qualidade, hospitais sucateados e pouquissima infraestrutura pra um país do tamanho do nosso. 

Mas, no atual contexto, lutar contra um medida desta proporção, a qual tem apoio de um grupo enorme de conservadores elitistas que jamais pensaram na população carente, é como um anão lutar contra um gigante. 

O bom é saber que nosso anão está sendo alimentado diariamente com as ocupações de jovens de uma geração que parecia perdida. Se não vencermos o gigante por ora..pelo menos iremos crescer muito... muito...

valeu juventude politizada!!

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A COISA FERVENDO...E O POVO??

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         Ahh o povo! Esse ao mesmo tempo em que encanta, deixa qualquer gringo estupefato! Vi um vídeo norte americano em que uma moça propaga que para ser rico, é só ser político no Brasil. Ridiculariza os políticos, mas em contrapartida, muito mais ao povo. Porque tudo o que os políticos praticam, o fazem com a conivência de grande parcela da população que...trabalha, estuda, assiste bbb, e alguns até viajam de avião. É a classe baixa e a classe média... esta última, pra piorar a situação, é a mais manipulável. Acha que é rica e essa percepção enganosa da realidade,  os confere o título de “ventríloquos”.

        O povo...ahhh o povo! É uma dicotomia interessante, não de luta de classes antagônicas, mas uma dicotomia ideológica que no fundo, estratifica posições sociais  em função das expectativas de cada um. É o negro pobre que é avesso ao sistema de cotas. É o pobre mestiço que clama por ditadura militar , é professor que apoia a elitização do ensino, é pai de família que apoia o massacre de adolescentes negros nas favelas chamando de “justiça”, é classe média que contrai empréstimos em cartões de créditos para se sentir parte da classe alta... é assalariado se achando burguês e revoltados com os programas sociais que eles chamam de “esmola”, enfim...é um emaranhado ideológico que pra quem olha de fora, se não gargalhar como tem feito, sentem pena.

            Porque os de fora enxergam essa dicotomia de forma muito mais clara: de um lado os ricos, poderosos, donos do poder e do parlamento. Dão risadas e se regalam diariamente com o dinheiro público, sustentados por trabalhadores do país inteiro ou  por heranças de familiares que fizeram o mesmo.  Do outro o povo todo, classe média, baixa, comerciante, intelectual, trabalhador braçal, enfim todo mundo que depende das conjunturas políticas e econômicas para manter o mínimo de dignidade em relação a sobrevivência neste país. E estes últimos, a maioria.

            E esta maioria dorme. Come. Trabalha. Compra. Vende. Estuda. Corre daqui, corre dali dia todo. Luta pra conquistar algo. E nessa luta, se viram contra si mesmos. Os que ganham um pouco mais querem pisar na cabeça dos que ganham menos, pra se sentirem como os ricos se sentem ao pisarem na cabeça de todo mundo.


        Aí...neste espaço de tempo...os ricos e poderosos, pintam e bordam em jantares magníficos, dignos de uma corte francesa dos tempos de Antonieta... 

Um pouquinho de cada coisa...

Sobre o impeachment de Dilma:

Resultado de imagem para impeachment dilmaDesde o início deste processo sombrio, ouviu-se especialistas, juristas, políticos, intelectuais, acadêmicos, enfim, uma gama de profissionais com know-how suficiente para argumentar contra a destituição da presidente eleita democraticamente e as consequências deste ato.
Mas não foram ouvidos. Ou foram, mas igualmente ignorados.
Após o impeachment, a mídia silenciou-se. Palavras como “lavagem de dinheiro”, “corrupção ativa”, “propina”, sumiram sistematicamente dos noticiários. A não ser por notícias pontuais, parece que tudo se ajeitou. Agora, o governo não eleito democraticamente decidiu “reorganizar” o país. Segundo ele, crescimento com responsabilidade é aquele que não “desperdiça”, não “gasta mais do que recebe”. E que investimentos em setores sociais, é despesa, pois não gera impostos. Só consome recursos. Uai, será?

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Sobre a PEC 241 – a Pec da Morte.

E aí o governo não eleito democraticamente propõe um projeto de emenda constitucional, no qual limita e congela gastos públicos incluindo saúde e educação, por vinte anos. É que ele quer pagar a dívida pública, aquela contraída com os bancos e que eleva as taxas de juros às alturas! Pra pagar essa dívida com os bancos, o governo alega que não há superávit pois as  despesas estão ultrapassando as receitas e que o jeito é cortar a carne  - do pobre. Sim. Ele não disse pobre, mas ele disse cortar gastos com saúde e educação. Aì pergunta-se: quem utiliza saúde e educação pública? O pobre.   
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Sobre a dívida pública:

Então o governo não eleito, apoiado pela elite  rentista (aquela que não trabalha e ganha rios de dinheiro com capital especulativo, e exatamente com estes juros exorbitantes da dívida pública), aliados à mídia que mama nas  tetas do governo  em troca de propaganda positiva de suas ações, diz que essa dívida foi contraída para sanar os gastos com o social. Mas ele não conta que os gastos em países desenvolvidos é considerado investimento e que quando há déficit do orçamento por conta destes investimentos, O PAÍS CRESCE, A ECONOMIA SE ESTABILIZA, A MOEDA FICA FORTE  e o IDH aumenta, já que novas estradas, novas indústrias, incremento tecnológico, pesquisas, nível de educação, saúde melhor, tudo isso é fator positivo e gera desenvolvimento,  uma vez que o país  é composto por uma nação. Verdade! Uma nação!  Não apenas por corpo administrativo. Não apenas  por títulos, não apenas por moedas, não apenas...por bancos!!!! 

segunda-feira, 30 de março de 2015

POLÍTICA E SALA DE AULA: O RESGATE DO ENSINO DE POLÍTICA PARA A CONSOLIDAÇÃO DA CIDADANIA...

QUERIDOS ALUNOS DA UNIUBE. 

Foi um prazer imenso ministrar para vocês a palestra com o tema Política e Sala de Aula. 

A participação, a interação e principalmente, o interesse da turma foi essencial para o sucesso do projeto. 

Abaixo estão algumas informações úteis, para que possam dar continuidade à pesquisa para a formação da consciência política, tanto de vocês quanto de seus alunos, no caso de quem já leciona. 

Estou postando também o slide, que poderá ser consultado quando necessário.

Deixarei aqui o link de um curso muito interessante, para principiantes em Política Contemporânea. O curso é online, tem duração de 60 horas e emite diploma. 

Um abraço a todos vocês e se quiserem contactar , é só enviar mensagem.










sexta-feira, 13 de março de 2015

E VIVA A DEMOCRACIA...APESAR DOS PESARES...



Sou admiradora incondicional da Democracia. 

O que mais me encanta é a possibilidade de expressar opiniões... de se posicionar ideologicamente, sem medo de ser preso ou punido por isso. 
Gosto do embate com a oposição. Aliás, a Democracia só existe se existir oposição. 
Seja ela uma péssima ou espúria oposição, seja uma oposição séria...o que importa é o contrário. Ele é um dos princípios que regem um sistema democrático: o contrário, a oposição, sua manifestação.


Hoje milhares de pessoas se reuniram em nome da Petrobrás e da legitimidade do governo Constitucional. 

Domingo, outras pessoas se reunirão pra manifestar seu desejo de mudança...e acho válido, independente se o desejo é fruto de um trabalho muito bem orquestrado pelo quarto poder no Brasil - a mídia. 

Bom, as pessoas têm liberdade pra se informarem e alimentar suas tendências. 
Se têm se contentado com o senso comum, se acreditam realmente que é uma opção o impeachment da Presidente, se acham que Michel Temer ou Eduardo Cunha é a solução para os problemas... então que lutem por isso.


Mas o que me entristece nessa democracia não é o embate ideológico nem mesmo essa oposição espúria. É esse ódio por tudo o que representa povo. Essa raiva que parte de pessoas que desconhecem a história da evolução dos direitos. Pessoas que desprezam a participação de organizações e instituições populares na consolidação de direitos que usufruem nos dias atuais.

outro dia um indivíduo de origem humilde, que já passou por situações muito difíceis na vida, disse que quem produz são os juízes, os médicos, os engenheiros, a classe média alta que bateu panela. E que o povo come às custas dessas pessoas. Esse indivíduo coitado, já ficou atrás de um balcão por anos e hoje, com um salário um pouco melhor, conquistou uma vida melhor, que é reflexo da conjuntura do atual governo. e este indivíduo, joga fora toda a sua própria história, em nome de uma falsa sensação de pertencimento a uma elite que o despreza...o explora...e usa a favor de si.

infelizmente, existem pessoas que se simpatizam tanto com um certo modo e estilo de vida, que vendem sua dignidade em nome de um status.

Eu fico pensando em como o ser humano é individualista. Pagam suas despesas com cartões de crédito... vivem no limite do cheque especial... tudo isso pra fazer parte de uma classe que os ridiculariza. E outros, que também se consideram burgueses, mas que não passam de trabalhadores assalariados (a diferença é que recebem salários maiores por terem alguma formação, ou qualificação) se juntam ao senso comum, acreditando que estão realmente lutando por mudanças, mas não param sequer pra pensar na responsabilidade de uma manifestação pró impeachment... estão raivosos porque acreditam que seu candidato era o melhor, assim como acreditam serem os melhores e aí, não respeitam a DEMOCRACIA.

isso sim, me entristece. Porque o ideal da oposição, e isso é prerrogativa de um sistema Representativo, é lutar para que nas próximas eleições, seus projetos sejam apreciados e reconhecidos pela sociedade...e aí alcançarem a vitória nas urnas.
mas... esse povo...essa parcela da população que a gente chama de "galinha que acompanha pato"... sempre morre afogada. Afogada em dívidas...enquanto a outra classe...aquela a quem eles defendem e acreditam fazer parte... continua os ridicularizando...explorando ...rindo de sua ignorância política.
é isso...