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domingo, 17 de junho de 2012

Nossos políticos não são culpados...são inocentes!!!!!!!





Eu fico ouvindo músicas, procurando imagens... relendo artigos sobre a época da ditadura brasileira. Um período terrível de nossa história, que manchou a política e desencantou toda uma geração que acreditava na possibilidade de uma República Democrática, pautada no direito à liberdade.

Fico perplexa com tudo, mesmo tendo se passado tantos anos...
Me lembro que minha infância foi já no finalzinho deste período...na década de setenta...onde meu pai ouvia “a voz do Brasil” e falava sobre política com minha  mãe... eu ouvia, criança ainda...mas compreendia que estávamos sob um período tenso... onde o falar e o agir, o pensar e o querer, só poderiam manifestar-se se fossem condizentes com a ordem vigente.

Me recordo do ano de 1985, da eleição pra presidente. Estávamos eu, meu pai e minha mãe, assistindo a tv. Foi transmitida ao vivo a votação. Eu tinha uns treze anos, e me lembro que meu pai e minha mãe ficavam eufóricos, cada vez que o voto era dado à Tancredo Neves. Eu também ficava, já que aquilo pra mim significava mudança e para melhor, pois se eles vibravam, então era pra melhor.

Mas o tempo passou... eu fui crescendo e comigo a consciência crítica. Me lembro de meu pai falando sobre política, participando de política, se candidatando... convivendo no meio e eu sempre ali, querendo saber mais, entender mais de política.

Esta política que já nasceu manchada, decadente, obediente à uma ordem, sem escrúpulos e individualista...inimiga do coletivo. 

Me lembro que mesmo assim, eu queria aprender, queria viver aquilo, porque talvez estivesse no meu sangue... no meu DNA...a tal da política.

Me lembro, depois de ter presenciado a subida de Collor após Sarney e sua descida cinematográfica,  de ter aprendido com o período de Itamar qual era o norte da política brasileira (com prioridades sempre voltadas para a macro economia),  e também, de ter visto FHC além de  apropriar-se do plano econômico que “deu certo” e de maneira arbitrária e totalmente antidemocrática apoderar-se de mais um mandato...vender nossas estatais a preço de bana... 


Me lembro de Lula, aquele operário (a minha cara ), sujo, barbudo, sem um dedo, falando errado... se transformar completamente, se “adaptar” ao meio e cumprir parte significativa de suas promessas, mas sempre pagando preço alto pra conseguir colocar em prática seus discursos proletários.. me lembro de vê-lo  entregar a faixa à Dilma... mulher revolucionária... emotiva...mas sobretudo com grande capacidade administrativa...mas não diferente dos outros quando se dobra às estratégias desta política de favores, consolidada desde a República velha...enfim, depois de tudo isso... entendi que os políticos brasileiros não são sujos, ou vis (senso  comum) como pregam tantos.

Os nossos políticos seguem o curso natural de nossa politica.  Aquela que se formou desde o primeiro Reinado após a independência. Uma política voltada única e exclusivamente para atender aos interesses de uma classe que se formou às custas de uma outra classe...que sua a camisa, que trabalha, que consome, que faz  a roldana girar...

Uma política alheia à realidade brasileira. Aquele tipo de política realizada entre quatro paredes, levando em conta a força partidária de situações e oposições...

Aquele tipo de política parecida em termos, com a que praticavam na antiguidade clássica... onde existia a democracia, mas quem a exercia eram os homens “bons”...patrícios... sendo que  os plebeus, os homens livres, os escravos, as mulheres, enfim, o resto da população jamais poderia cogitar em exercer...pois não tinham "qualificação" para tanto...

E os nossos homens "bons"  são nossos políticos. Os nossos patrícios, os donos de nossa terra...são eles, os nossos políticos. Mas é ela, nossa política,  quem decide entre “quatro paredes”, como será a administração pública e o que ela irá priorizar.

É óbvio que em época de eleições, os plebeus, os escravos, as mulheres, os homens livres, terão sua participação, diferente da democracia clássica, mas que também é uma espécie de aval (já que o regime pede), para que os homens "bons" possam tomar as decisões por eles...O famoso “contrato” de Rousseau??

Mas passadas as eleições, pra quê a massa? Pra quê? Senão para assistir os mandos e desmandos de seus líderes que através da política, determinam o rumo do país...

Nossos políticos não são maus. Isso é senso comum. Eles não são perversos. Não se enganem. Eles apenas seguem o curso natural de nossa política.

É ela quem avaliza os senadores que entregaram o senado e o congresso nas mãos de um bicheiro.

É nossa política, a brasileira, que permite tanta corrupção, tantos desmandos por parte de nossos políticos. Ela é assim...sempre foi. Quem não se enquadra, está fora. Não fará parte do “bolo”...

E aí a gente fica acusando esses “coitados” de cometerem crimes... de serem desonestos...de corromper a Democracia.

Mas até nosso judiciário avaliza nossa Demonioracia, nossa política...por que  então culpar os políticos?

Se nossa mídia trabalha para blindá-los...para protege-los.

Se nossa polícia está a postos para atendê-los em caso de manifestações contra a ordem vigente...

Se nós…os eleitores , na hora do voto...reelegemos estes mesmos políticos que pelos quatro anos seguintes, farão exatamente o que fizeram nos mandatos anteriores...

Não gente, os políticos não são culpados...

Culpada é a política brasileira... os nossos políticos, apenas seguem sua vocação...






2 comentários:

  1. Professora eu iria mais longe, eu diria que os política brasileira enraíza-se no comportamento do brasileiro. Chegar lá e adaptar-se é uma questão antes de tudo de escolha, ou melhor, me parece que antes de chegar lá precisa adapta-se primeiro..mais ou menos isso. Pra mim, um problema de natureza humana (brasileira).

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    1. pertinente! E o comportamento brasileiro, se refere a identidade, correto? Multifacetado...com influências mil...de europeus, africanos, ameríndios...

      mas muito mais que comportamento, é a complacência, a inércia que não permitem mudanças...ou melhor, não luta por mudanças do estado de coisas...

      ou seja, são assim, sofrem com isto... e continuam negligenciando possibilidades de mudanças...

      por outro lado, o político que se formou antes mesmo de chegar a usufruir da política, vem deste meio... do "deixa fazer", "deixa ser"...não pleiteiam mudanças...porque seria complicado demais lutar com o status quo...

      e assim o mundo gira e a lusitana roda...

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