pausa pra reflexão...

bem vindo ao meu cantinho...

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Dizem que 7 é conta de mentiroso...

 
E a história deu um jeito de personificar isso no sete de setembro...

Impressionante  e comovente as festas do sete de setembro nas escolas... os professores ficam num alvoroço pelo desfile (e claro,  revoltados por terem que “pagar o mico” mesmo que seja no sábado ou domingo... ), os diretores ficam eufóricos (pois são obrigados a organizarem tudo em tempo recorde  e ainda... garantir a “motivação” de seus súditos com salgadinhos após o desfile) e os alunos...coitados... são os que mais sofrem...pois têm que desfilar debaixo de sol ou  de chuva... com dedicação e muito patriotismo... mesmo sem saber bulhufas  do que estão realmente homenageando e o porquê...

Mas, como dizia minha mãe : “a vida ensina”... 

Percorrendo a vida, ou a história, descobre-se que a independência não passou do grito.  Na realidade, a segunda opção do grito, ou seja, a “morte” é muito mais real do que a independência do nosso amado salve  salve  país.  Estou sendo fatalista? Talvez! Mas...

O Brasil foi um dos países que mais tardou o grito de “independência” de sua metrópole e a consequência se encontra nos dias de hoje, já que nossa “independência política” às margens do Ipiranga, garantiu nossa dependência econômica em relação às várias metrópoles européias e principalmente, ao grande leão dourado americano. 

Mas por quê? Somos uma nação ora bolas! Temos como regime de governo a Democracia! Podemos eleger nossos governantes através do voto direto, conquistado à duras penas depois de um longo período de submissão e opressão militares!

 Aí eu digo o seguinte: O problema vem de berço! Nenhuma das diversas revoltas regionais por ocasião da emancipação brasileira, tiveram ideais verdadeiramente de liberdade e garantia de direitos. 

O pilar da independência se formou sobre ideais de liberdade condicionada, (que o diga a Inconfidência mineira, revolta dos Beckman,  Guerra dos Mascates, Revolução pernambucana...etc) favorecendo apenas uma classe dominante e que por sinal, até aos dias de hoje, continua dominando em meio ao regime mais liberal do mundo: a Democracia!  

O domínio político interno  se tornou o pilar da dependência econômica externa. Temos um país onde a educação nunca foi prioridade (claro que propositalmente)...somos lanterninhas em matéria de educação comparados com outros países emergentes sul americanos. Temos uma economia monstro, totalmente dependente (agora não mais de uma metrópole, mas de diversas) e uma sociedade passiva, cauterizada pelos olofotes dos shows patrocinados pelos governantes, que nos induzem a acreditar que estamos livres e nos desenvolvendo como nação independente.  A maior prova disso, são as comemorações do sete de setembro,são as datas patrióticas o 21 de abril , o  15 de novembro...não deixam passar nem o dia  do “Fico”...

 E a meninada lá, debaixo de sol, de chuva... marchando...
Os livros didáticos, contando e perpetuando a mentira... a sociedade assistindo balançando bandeirinhas...os prefeitos orgulhosos pelo momento de êxtase e realização pessoal...e...depois do desfile,  todos voltam pra casa... comentando do sapato furado do colega,  do salgadinho salgado da escola...do filho que desfilou mais bonito que todos...e a vida continua... a passividade continua... afinal... somos livres...não há mais do que se libertar! Viva  D. Pedro I !!! Obrigado José Bonifácio!!! Viva o Brasil!!!!!

Pois eu digo: não há o que comemorar. Não somos independentes. O sete de setembro, no caso, é conto de mentiroso...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Festival de História em Diamantina...


 Evento inédito na área de história acontece em outubro na cidade Diamantina e pode reunir aproximadamente cinco mil pessoas

Uma grande festa em torno da história. Assim poderia ser definido o "Festival de História", evento inédito que acontece entre os dias 7 e 12 de outubro de 2011, na cidade mineira de Diamantina. Concebido pela Revista de História da Biblioteca Nacional (RHBN), o "fhist", nasce sob o desafio de tornar-se palco de convergência das expressões artísticas focadas nos temas históricos. Mas muito além do desafio de constituir um novo canal de expressão, o fHist tem como desafio maior ampliar o interesse da sociedade pela História, por meio da criação de espaços e da interação, em um mesmo momento, dos autores, editores, atores, produtores, diretores com o grande público.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

“Um grama de ação vale uma tonelada de teoria.” Friedrich Engels




 E a Educação no Brasil... ainda conta com um grama de ação...

Pois é. Em meio a greves de professores, falta de apoio e incentivo ao profissional, falta  até mesmo de estrutura física a qual impossibilita o desenvolvimento de qualquer trabalho didático, projeto ou iniciativa por parte do educador,  falta de uma política salarial ou um plano de cargos e salários que o valorize e principalmente, que lhe dê oportunidade de exercer com qualidade seu papel,  enfim, em meio ao caos na Educação, conhecemos e convivemos com a  LDB9.394/96 – Leis de Diretrizes e bases,   a qual vem reafirmar o papel da Educação e o direito à ela, garantido pela Constituição. 

Qualquer professor que tenha estudado a LDB e seus PCN’s – Planos curriculares Nacionais, fica extasiado diante de um amontoado de letras que diz absolutamente tudo o que a Educação deveria fazer por um indivíduo, tudo o que deveria desenvolver neste indivíduo...mas que infelizmente, na maioria quase absoluta das vezes  não o faz. E não o faz, pelos motivos já ditos no início deste texto. É como se a cada vez que lêssemos as leis, os parâmetros, os artigos, confirmássemos que  a teoria jamais será colocada em prática... como se tudo não passasse de uma utopia romântica, de muito boa vontade e intenção e uma grande dose de  "conhecimento de causa"  por parte dos especialistas da educação....mas...impraticável em nosso contexto.

Mas eu disse “quase absoluta certeza” , porque existem exceções.  E uma destas, eu conheço de perto, participo dela e tenho o prazer de dedicar através deste texto, meu respeito, meu carinho, reconhecimento, admiração e a  certeza de que podemos sim, realizar utopias. 
Falo da JUVENTUDE POLITIZADA DO BRASIL, uma comunidade virtual  da rede social Orkut, criada pelo sociólogo Marcello de Paolla, meu mestre... e que vem despertando em mim, o desejo sincero de colocar toda a LDB em prática, de todas as formas e maneiras que eu puder alcançar, assim como o fez este professor de São Paulo... designado pelo Estado, cargo com tempo determinado e que se encerra a cada ano e,  que só será renovado pra substituir os “efetivos” insatisfeitos e com poder de greve... licenciados...ou outra coisa parecida. 

 Voltando à comunidade, ela conseguiu em um curto espaço de tempo, colocar em prática vários pontos dos PCN’s para os projetos políticos pedagógicos da disciplina sociologia e que ironicamente,  o professor sequer teve acesso  nas  escolas em que leciona (fato que se repete na maioria das escolas públicas, as quais  não utilizam PPP’s por diversos motivos, entre eles, o tal contexto em que nós, os profissionais da educação, vivemos.

Mas contrariando todas as expectativas ou falta delas, desafiando todas as dificuldades encontradas pelo árduo caminho do ensino público, na comunidade JPB, discutem –se os famosos temas transversais: meio ambiente, sexualidade, cidadania, justiça social e outros ...e incrível... praticando também a interdisciplinaridade, já que lá, em um único tópico, é capaz de se debater  biologia, química, física, história e até matemática...dependendo do tema proposto. 

Basta abrir um tópico sobre drogas, que aparecem alunos defendendo ou refutando a liberalização de drogas... discutindo o que seria melhor ou pior para as famílias e sociedade...
Sobre sexualidade então, o tópico rendeu várias postagens sobre camisinha, os perigos da gravidez na  adolescência... 

Discutem até a possibilidade da existência ou não existência de Deus...e pra isto, o debate consome muita biologia, genética, espiritualidade, fé... e ciências de modo geral...

Agora estão discutindo conceitos dos mais diversos, com assertivas propostas no chamado  “Grande Desafio”.   Falam de “ditadura”, “democracia”, “política”, “sociedade”, “cidadania”...

Eu fico emocionada de estar participando disto tudo. E fico também me perguntando: por que a maioria dos colegas não conseguem em meio ao caos, praticar um grama de ação como esta? Por que tudo é tão difícil? Por quê não nos apegarmos ao que temos, como o fez o professor que utiliza-se de um recurso que se tornou tão corriqueiro – internet  tem em quase todo lugar e quase todo mundo tem acesso – um recurso como as redes sociais que qualquer aluno do ensino secundário utiliza pra namorar, paquerar ... e transformar isto em uma “indiscutível prática da LDB e seus PCNS” que segundo suas finalidades, são para “desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos superiores”.

É assim que conseguiremos trabalhar de verdade. É com vontade, criatividade, compromisso... independente do salário ruim, das situações precárias...porque temos que ter a visão de que  só conscientizando esses alunos, transformando-os em cidadãos de verdade, com senso crítico, é que será possível mudar o cenário da Educação no país. Basta um grama de ação, pra valer uma tonelada de teorias. 

Eu sei que é complicado, como sei...a realidade do professor no Brasil é triste, é vergonhosa... mas são iniciativas assim que demonstram a importância de se acreditar na profissão...
É assim que aprendemos que teorias podem sim serem praticadas... de várias formas...através de vários instrumentos...com o objetivo de alcançar a proposta maior que nos fizemos ao optarmos pela profissão “professor”.

Professor Marcello, fica  aqui meus parabéns. Minha admiração por você é imensa. Sua iniciativa é exemplo para todos nós...professores que desejamos de verdade,  fazer a diferença. Conte comigo...sempre...

Pra quem quiser observar, participar, ou simplesmente conferir, abaixo o link de nossa escola virtual...será um prazer recebê-lo:




sábado, 23 de julho de 2011

"quanto mais alto voam, maior o tombo", como dizia o Zé Geraldo...



Quando se chega no topo... a tendência é descer pro fundo do poço...

Hoje, quero escrever sobre “quedas”.


Tenho assistido a corrida ao desenvolvimento de países como a China por exemplo, que alcançou níveis nos últimos anos  digno de uma super potência mundial.  O mundo está atento à China. Ao modelo de desenvolvimento Chinês. 

País dito “comunista”, mas que antagonicamente, exerce um modelo econômico dos capitalistas mais selvagens e que tem como único aspecto comunista, a predominância do poder do Estado sobre todas as esferas, e  peculiarmente,  exercendo fortemente o capitalismo de Estado, que descentraliza o governo local do nacional, sem contudo, minimizar o controle total do segundo  sobre o primeiro. 

Depois pensei no Brasil. Nos últimos anos, este paíse  subdesenvolvido até mudou de posição no ranking mundial de países em crescimento. Segundo os governantes, estamos no caminho do desenvolvimento “sustentável”. É verdade que muita coisa mudou nos últimos dez anos. A qualidade de vida de muita gente, a mobilidade social, que permitiu grande parte de uma classe “ascender” a outra e ainda, conseguiu minimizar o sofrimento de milhares de pessoas que viviam abaixo da linha da pobreza. Mas por outro lado, é um país que continua destruindo seus recursos naturais em nome do “desenvolvimento”...vide Belo Monte, é um país essencialmente agrário, já que nossa indústria  e tecnologia ainda caminha a passos lentos, é um país que não investe nas áreas da saúde e educação principalmente, enfim, é um país onde a desigualdade social é gritante...

Mas deixando a China e o Brasil de lado, voltei um pouco na linha do tempo,  pra falar sobre algumas quedas vertiginosas e importantíssimas na história das grandes civilizações. 

Desde que o homem deixou de ser coletor e caçador,  ele descobriu uma forma muito cômoda e conveniente de sobrevivência,  sem muito esforço. Descobriu a exploração do homem pelo homem.  Em toda a história das grandes civilizações, percebemos esta imutável forma de domínio, onde uma minoria encontra na maioria, a base de sustentação para a sua vida.  

O interessante, é que o desenvolvimento destas civilizações, como Athenas na Grécia por exemplo, que alcançou o ápice de sua  evolução no que se refere a economia, política e religião, se auto-destruiu, em função de não ter mais o que conquistar, quando se conquistou tudo. 

Sua sociedade, assim como a maioria das civilizações evoluídas neste contexto, praticou a diferenciação entre pobres e ricos, promoveu a separação física entre estas classes e deixou claro para a humanidade, como deveria ser o modelo de conduta para se alcançar o topo do desenvolvimento: a exploração do homem pelo homem. No caso de Athenas, ocorreu ainda a exploração de cidades por cidades. Em troca de segurança e apoio militar contra os vizinhos Persas, , Athenas cobrava de cidades vizinhas um imposto que convertia em grandes monumentos, construções fantásticas e muita farra na cidade Atheniense.  Paternon é um destes legados maravilhosos, em ruínas, mas grande representante deste tempo histórico.
Porém, Athenas encontrou em seu caminho, civilizações com maior poder de força, ou menos quem sabe, mas que se aproveitou da altivez e determinação daquela elite dominante, para puxar-lhe o tapete e assistir sua queda ...proporcional à sua altura. 

Pensei também nas civilizações Incas no Peru. Foram civilizações que alcançaram igualmente, um grau de desenvolvimento invejável à grande potência mundial de hoje. Mas, como via de regra, baseando-se na exploração do homem pelo homem...e da natureza pelo homem.
Ao alcançar o cume, o ápice, o topo... civilizações incas começaram a cair vertiginosamente, em função da degradação ambiental, da luta pelo poder, das guerras internas travadas em um momento em que inimigos externos se aproveitavam, assim como no caso de Athenas, da altivez e determinação daquela elite dominante, puxando-lhe também o tapete. Que queda...e de que altura. 

Poderia citar outras civilizações... mas pra não ficar um texto muito grande e cansativo,  prefiro chegar à moral da história. 

Entendi que enquanto o homem buscar desesperadamente o topo, o desenvolvimento a qualquer custo, a diferenciação de classes, à separação destas classes submetendo a maioria a uma elite dominante, cheia de altivez e determinação, buscando sobreviver às custas da exploração do homem pelo homem e da natureza pelo homem... estas quedas serão uma realidade e questão de tempo. 

A história nos demonstra isto. Não preciso citar super potências mundiais de ontem, que hoje lutam assim como nós , países em desenvolvimento, para sobreviver em meio ao caos financeiro, a crises que envolvem todo o mundo independente do continente... não preciso citar a super potência que até outro dia, era inabalável, mas que hoje demonstra uma vulnerabilidade que jamais imaginariam ter...

É só questão de tempo. A confirmação por repetição já foi constatada.


É só uma questão de tempo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

vai dar namoro ou amizade???



Hipocrisia à  parte, mas ...a que ponto chegaram os tucanos...

FHC comemorou seu aniversário de 80 anos, tendo como tema da festinha, uma carta enviada pela presidente Dilma Roussef...onde no auge de sua majestade, tece elogios ao octogenário e histórico opositor ao PT. 

É como eu digo, as coisas nos bastidores são bem diferentes do que no palco... principalmente quando se trata de política.

Relembrando a mini-novela  circense da última eleição, durante aqueles debates intensos e diga-se de passagem nenhum pouco proveitoso no que se refere a exposição de idéias, projetos de governos e etc..., o PSDB e seus correligionários, numa guerra declarada ao PT, jogou muita titica no ventilador para chamuscar de merda todo o governo Lula, durante os 8 anos... 

Oposição cerrada, irresponsável, feia... com uma baixaria de dar inveja aos prostíbulos cariocas... o PSDB jogou com todas as armas (sujas) para impedir a continuidade do governo do barbudo “analfabeto”...como dizem os tucanos...

Mas após a vitória do PT, a coisa mudou de figura. FHC percebeu  o que Serra jamais conseguirá perceber... que não adianta atacar o PT  como o fizeram durante todo este tempo. Ele talvez tenha aprendido com o próprio Lulinha paz e amor, que inimigo nervoso, é inimigo vencido... já que o nervoso perde a razão... e perdendo a razão, perde-se a guerra...

FHC é muito esperto. Está demonstrando uma espécie de diplomacia para com Dilma, mas na realidade, ele quer dizer : agora sim, estou tratando com gente civilizada, não com um gordinho barbudo analfabeto, que bebe cachaça ao invés do wisky”...

FHC é a inteligência do PSDB. Eu aposto que ele odeia o Indio...rsrs , e quer com todas as forças de seu ser que Aécio Neves ganhe a disputa dentro do partido contra José Serra, o qual já demonstrou uma inabilidade, uma incompetência, uma ingerência sem tamanho...

Mas o que mais me impressiona nessa história toda, é Dilma. Eu até hoje não consegui caracterizar Dilma. Ex revolucionária, taxada durante as eleições de terrorista... mas quando se olha pra ela, não se vê nada além de Dilma. Dilma Roussef. Uma presidente, que chegou lá com o apoio de um revolucionário barbudo (este sim...um fenômeno), que demonstra um certo tipo de empatia com o povo...mas que no fundo...no fundo...não se expõe como Lula, não se mostra,não se revela como Lula. 

Eu fico preocupada, porque vejo tucanos genuínos elogiando Dilma. FHC por exemplo, nos cem dias de Dilma... ele não falou nada que pudesse ser usado pela mídia contra a presidente. Muito pelo contrário, elogiou-a e ainda, propôs uma oposição menos agressiva... 

Será que é porque ela é mulher? Uai, mas durante as eleições, o PSDB a chamou de terrorista, fantoche, sapatão e mais um monte de adjetivos baixos que nem valem a pena citar...

O que mudou?
Eu fico preocupada.

Me lembro da política “café com leite”... sei que não tem nada a ver com a coisa toda, mas ... explorando um pouquinho minha imaginação fértil e levando em conta a aliança entre PT e PSDB feita aqui em Minas pra prefeitura de Belo Horizonte, quando Pimentel entregou de mão beijada a cidade depois de tanto tempo nas mãos do PT passando-a às mãos do PSB de Marcio Lacerda que por sua vez era indiscutivelmente o laranja do PSDB..chego a pensar na possibilidade de um início de “entendimento” a nível nacional entre estes dois partidos historicamente rivais. 

E se isto acontecer amigos, eu rasgo meu título. Não dá. Não dá pra engolir esta tucanada, nem travestida de “amigos do PT”.

Mas como tudo é possível no cenário político deste país democraticamente promíscuo em matéria de  eleições ... fico com uma pulga...pulga não...um carrapato atrás das orelhas...

Vamos aguardar agora o aniversário de Dilma, pra saber da carta de FHC...

sábado, 18 de junho de 2011

de novo... o CAPETALISMO...

Tema inesgotável... eu sei... 


Na minha mente então...afffff                                      

Por isto quero descer a lenha mais um bocadinho...é uma espécie de "desabafo"...

O capitalismo precisa de tragédias, de catástrofres e claro, de guerras ...para sobreviver...Precisa de instabilidade econômica de países periféricos, precisa de instabilidade política, precisa sobretudo manter a  desigualdade social destes países...

Este sistema produz a abastança para poucos e a desgraça para muitos. Como abutre, sobrevive da morte, do despojo, da injustiça, da miséria...

Aliás, sua ascenção como sistema global, consolidou-se com as grandes guerras.

A economia capitalista não consegue sobreviver em meio à possibilidade de um “pretenso” equilíbrio das contas de países emergentes principalmente,  e nem tão pouco a um alinhamento político-ideológico destes países... vai que cismam de realmente, de verdade, formarem um bloco e pior, com viés socialista? Capitalista já seria uma ameaça e tanto, imaginem  socialista?  

Mas por quê? É óbvio. 

São estes países que fornecem todo o combustível necessário para a sobrevivência do sistema. Desde a dependência econômica à política, em forma de acordos unilaterais, à perpetuação de grandes mercados de consumo que simultaneamente são também mercados fornecedores de matérias primas, tudo isto aliado à  perversa lógica de submissão cultural  de sociedades inteiras mascaradas de “modernas”...

Ahhh o sistema capitalista... muito além de um sistema econômico,  o capitalismo transformou-se em filosofia de vida, neste mundão “globalizado”.

Percebe-se pelo discurso das pessoas de um modo geral. Quem nunca pensou em defender este sistema, quando em posição um pouco melhor que o outro que está a seu lado? Pra ser mais clara, quem nunca bateu no peito ao conquistar o “seu lugar ao sol”, quando se depara com um infeliz que nunca conseguiu sequer um “bronzeadinho” momentâneo?

Ouço o tempo todo a filosofia de vida capitalista. Aquela que preza sobretudo, mas sobretudo mesmo, o bem estar econômico de si próprio e de sua família. Mas que mal há nisso? Temos sim que prezar pela  boa vida, pelo sustento, pelo conforto de nossas famílias... isto é moral, é ético, é legal, é bonito de se ver. Jamais diria algo contra. 

Mas , por outro lado, julgar a péssima vida do outro, sua condição miserável... sua desgraça social simplesmente por sua “falta de competência” ou “preguiça”, é o mesmo que cuspir pra cima... 

Deixa eu explicar porque:  vc  que nasceu pobre, sem oportunidades caídas do céu... sem ter olhos azuis ou talento pra jogador de futebol, teve que ralar feito um louco, fazer malabarismos e até milagres pra chegar onde chegou... saiba que,  vc  ao agarrar as oportunidades que lhe apareceram, teve que pisar na cabeça de pelo menos, no mínimo dez outros que diferente de você, não conseguiram ainda,  pisar na cabeça de ninguém. 

E daí? É pra ficar com consciência pesada por ter conquistado seu espaço? Não, claro que não. A filosofia de vida atual não nos permite ter isto...esta empatia... esta coisa de se colocar no lugar do outro...
O importante, é vencer... ter... ser...e o resto, que se dane ou que cresça o suficiente pra pisar na cabeça dos outros também...e conquistar seu lugar ao sol.... 

Eu fico observando a perversidade do sistema. Nas propagandas, o fomento a conquistar uma casa, um carro novo, um a qualidade de vida indiscutivelmente deliciosa... hummmm  ...os atrativos, tudo lindo.. cabelos lindos, corpos lindos, perfumes maravilhosos... pessoas lindas... sorrindo...comidas...hummmm  tudo maravilhoso... 

E aí penso naquele indivíduo que paga pra ver tudo isto, nas novelas, nos filmes, nas propagandas...sem se dar conta que paga pra ver, sem ter direito de sonhar em ter... já que o seu salário é tão mínimo que mal dá pra pagar a conta de luz...que dá energia à TV...que é meio de comunicação e  que transmite a idéia.
Mas continuam as novelas, as propagandas... passando para uma minoria... que tem condições de adquirir, mas alcançando uma maioria que sequer pode sonhar em alcançar tudo aquilo. 

Não me conformo. Sou pobre... sou revoltada. Falo por mim, agora.
Sou pobre. Aquele carrão... que quase fala sozinho... aquela casa da propaganda, onde falam em “cheirinho de limpeza”... eu não conheço...nunca conheci e sinceramente, por minhas condições financeiras atuais, nem posso sonhar em ter... a não ser que ganhe na loteria... na telesena... 

mas trabalhando? Não...não tenho esta ilusão. 

Ai penso em outros, ainda piores que eu... num grau abaixo de mim na pirâmide social. E aí não consigo usar isso pra me conformar com minha vida... muito pelo contrário... eu penso que eu como pão com manteiga todo dia...como o que quero... como dizia minha mãe “no ponto de pobre, tenho o que quero”... 

Já passei muita fome quando criança... mas hoje como o que quero... tomo banho quente... tenho filhos saudáveis...marido comprometido com a família... como carne todo dia...ando de carro...viajo pra praia...mas...ainda assim, este maldito  sistema consegue me deixar revoltada. Sou pobre e revoltada.
Revoltada quando penso que na minha pobreza, ainda estou melhor que outros. 

Revoltada quando vejo crianças batendo à minha porta, pedindo alimentos... mulheres pedindo roupas de recém-nascidos... 

Revoltada quando vejo em escolas,crianças descalças... que têm como único alimento a merenda do dia.

Revoltada quando vejo adolescentes se enfiando em drogas, sem perspectivas de uma vida melhor, sem estrutura familiar, sem como se diz: a tal sorte... do sistema...

Revoltada quando ouço estes discursos egoístas, individualistas ,egocêntricos sobre “vencer na vida”, “ eu conquistei”... “eu tenho”... como se isto fosse fácil...como se isto não fosse um caminhão de sorte aliado à na maioria das vezes, sua carinha bonita e branca... como se isto não fosse exceção à regra... e como se a regra não fosse a desigualdade e a exclusão!!!

Eu sei que muitos podem ironizar o texto... pensar que sou uma derrotada...aliás, a filosofia do sistema é assim...quem reclama é derrotado... quem se revolta é derrotado...

Mas eu sei também que muitos se identificam com o que digo... e esta é  a minha esperança...
A de que a filosofia de vida deste sistema, ainda não tenha alcançado absolutamente todos... em todos os sentidos... 

E que ainda, um dia... o ser humano vai entender que somos iguais... e esta diferença gritante que nos separa, é desumana...é má...é perversa... e é fruto deste sistema. 

E que o ser humano, aos poucos, por si mesmo, vá querer mudar...