A prática imperialista não surpreende. Contextos diferentes, mesmas estratégias, seja na América Latina, América Central, África, Ásia...Sempre que os EUA estiver em crise, colocará a Doutrina Monroe para funcionar, seja em que contexto estiver.
Década de 1970, o receio da ampliação da zona de influência da então Uniâo Soviética, aliada à necessidade de garantir os recursos naturais para manutenção de sua capacidade produtiva e tecnológica, levou os EUA a fomentar golpes militres no CHile, Argentina, Bolívia, Uruguai, Brasil, Nicarágua, El Salvador, além de financiar grupos anti-socialistas na África, Ásia, Oriente Médio.
Firmou-se um padrão de atuação, pautado primeiro na "defesa da democracia" , seguido do uso militar e promessas econômicas x recuperação da "democracia".
No caso desta última, o empresariado do país a ser dominado, tem a tendência a acreditar nas "boas ações" e se submete como fantoches, acreditando que o os interesses econômicos estadunidenses são bilaterais.
A Venezuela não foi diferente. Desde 2002 EUA tem tentado a todo custo meter a mão no petróleo venezuelano. Hugo Chavez, o líder nacionalista que mudou completanente os arranjos institucionais que eram mantidos há 40 anos e que haviam levado o país à mais profunda miséria e desigualdade social, foi vítima da tentativa de golpe dos EUA, após 4 anos de governo socialista.
Antes de Hugo Chavez, a Venezuela, apesar do PIB quase "saudita" em plena América Latina e apesar de por quase décadas proporcionar para uma minoria da população uma espécie de "milagre econômico", deixou a maioria da população na miséria e o resultado da prática "fijista" pactuada, fez o país se embrenhar num mar de corrupção. Além disso, o governo que antecedeu Chavez não diversificou a economia e manteve a Venezuela refém do petróleo.
Foram estes fatos que deram vitória à Hugo Chavez em 1998, o qual prometeu fazer diferente e assim o fez em certa medida, exceto pela questão do petróleo, recurso que mantém a economia do país, sem se preocupar com os enfrentamentos que o futuro lhe reservava por cometer o pecado de não diversificação de recursos e serviços, tal qual seus antecessores.
É certo que Chavez usou a riqueza do petróleo para investir em questões sociais, promovendo avanços inquestionáveis a partir da nova consitituição de 1999, a qual rompeu siginficativamente com o sistema anterior e instituiu as missões bolivarianas.Chavez reduziu drásticamente o analfabetismo, garantiru educação gratuíta a todos, ampliou universidades, invetsiu na saúde, ampliando atendimento médico a regioes remotas, criou programas de combate a pobreza, reduzindo-a de 48 para 29% em pouco mais de um ano. Ampliou também a participação política da população e preocupou-se com a consicentização da sociedade em relação a seus direitos consitituiídos e garantidos por lei. Sabe-se que quase todo pacote de alimento básico, possuia impresso trechos e artigos da Constituição Federal, numa tentativa de politização da população. E por fim, os índices do período demonstram grande avanço em relação a áreas como habitação e garantia de serviços básicos.
Por outro lado, como já dito, não investiu na diversificação da economia, apesar da nacionalização das companhias estrangeiras de petróleo e manteve a Venezuela dependente do ouro negro e deste modo, vulnerável a toda sorte de crises mundiais que envolvessem o recurso mais almejado do planeta.
Ai entra os EUA. Década de 2000, Venezuela estatiza mais de 80% do seu petróleo enquanto as medidas neoliberais privatizam as petrolíferas no mundo. Hugo Chavez, na contramão de Bush, enfrenta-o ideologicamente nas reuniões e comitês internacionais, rememorando as ações imperailistas e dando seu recado claro: "aqui não, o buraco aqui é mais embaixo". Óbvio que a grande eleite empresarial do ramo petrolífero norte americano não deixaria barato e pressionando o governo estadunidense, surge a primeira tentativa de golpe, pós chavismo. Mas antes, o caos. Estratégia antiga e eficiente do imperialismo.
Em 2002 Chavez foi sequesetrado por 48 horas, obviamente sob a instabilidade criada pelos oposicionistas ao regime (e aí não precisa ser expert em história para entender quem e o que movia a "elite" oposicionista), os quais promoveram grandes manifestações e embates públios entre os prós e os contras ao governo. Na confusão, Hugo Chavez foi responsabilizado pelo possível "derramamento" de sangue e sequestrado pelo alto escalão militar. Neste interim, um empresario (óbvio) se apresenta como "presidente interino", mas o que não contavam é com a reação do povo e até de patentes do exército leais ao presidente. Povo na rua, manifestações gigantes principalmente das camadas mais pobres da população, colocaram fim ao plano estadunidense em conluio com a elite venezuelana.
Com o fracasso do golpe, CHavez se fortalece e permanece até 2013, acometido por um câncer diagnosticado anos antes, o qual demandou várias cirurgias e uma unica tentativa em Cuba, de onde não voltou vivo.
Venezuela já enfrentava grave crise econômica, pelos embargos já conhecidos partidos dos EUA que foram se agravando cada vez mais, sem a mão forte de Hugo Chavez. Em seu lugar, restou Nicolás Maduro, um ex motorista de ônibus, sem a mínima condição de reger uma nação como estadista, aprofundam-se problemas sociais que tornam-se crônicos a cada sanção estadunidense, deixando de fato a Venezuela completamente vulnerável à política imperialista Norte americana. Resultado? Golpe. Desta vez o povo comemorou, pois Maduro nem de longe representa a força dos Venezuelanos, que me parece, morreu com Chavez. Logo, nada de novo, apenas atores e contextos diferentes. Neste caso, o protagonista é amador e não suportou a pressão imperialista que em pleno século XXI, está com as mesmas estratégias, o mesmo roteiro e as nações concorrentes assistindo de perto, aguardando o momento em que Trump provoque de fato, prejuízo a suas economias...
Até lá, salve-se quem puder...
Aí você pergunta: e a China e a Rússia, parceiros da Venezuela? Bom, lembrando que também são imperialistas, mas ai é conversa para outro texto. Até lá. Espero ter ajudado.
Marcia Fernandes
Professora História
Mestre em Educação e Docência UFMG