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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

EUA : século XXI, mais do mesmo...

 


    A prática imperialista não surpreende. Contextos  diferentes, mesmas estratégias, seja na América Latina, América Central,  África, Ásia...Sempre que os EUA estiver em crise, colocará a Doutrina Monroe para funcionar, seja em que contexto estiver. 

    Década de 1970, o receio da ampliação da zona de influência da então Uniâo Soviética, aliada à necessidade de garantir os recursos naturais para manutenção de sua capacidade produtiva e tecnológica, levou os EUA a fomentar golpes militres no CHile, Argentina, Bolívia, Uruguai, Brasil, Nicarágua, El Salvador, além de financiar grupos anti-socialistas na África, Ásia, Oriente Médio. 
Firmou-se um padrão de atuação, pautado primeiro na "defesa da democracia" , seguido do uso militar e promessas econômicas x recuperação da "democracia". 

    No caso desta última, o empresariado do país a ser dominado, tem a tendência a acreditar nas "boas ações" e se submete como fantoches, acreditando que o os interesses econômicos estadunidenses são  bilaterais. 

    A Venezuela não foi diferente. Desde 2002 EUA tem tentado a todo custo meter a mão no petróleo venezuelano. Hugo Chavez, o líder nacionalista que mudou completanente os arranjos  institucionais que eram  mantidos há 40 anos e que haviam levado o país à mais profunda miséria e desigualdade social, foi vítima da tentativa de golpe dos EUA, após 4 anos de governo socialista. 

    Antes de Hugo Chavez, a Venezuela, apesar do PIB quase "saudita" em plena América Latina e apesar de por quase  décadas proporcionar para uma minoria da população uma espécie de  "milagre econômico", deixou   a maioria da população na miséria e o resultado da prática "fijista" pactuada, fez o país se embrenhar num mar de corrupção. Além disso, o governo que antecedeu Chavez não diversificou a economia e manteve a Venezuela refém do petróleo.  

    Foram estes fatos que deram vitória à Hugo Chavez em 1998, o qual prometeu fazer diferente e assim o fez em certa medida, exceto pela questão do petróleo, recurso que mantém a economia do país, sem se preocupar com os enfrentamentos que o futuro lhe reservava por cometer o pecado de não diversificação de recursos e serviços, tal qual seus antecessores. 

    É certo que Chavez usou a riqueza do petróleo para investir em questões sociais, promovendo avanços inquestionáveis a partir da nova consitituição de 1999, a qual rompeu siginficativamente com o sistema anterior e instituiu as missões bolivarianas.Chavez reduziu drásticamente o analfabetismo, garantiru educação gratuíta a todos, ampliou universidades, invetsiu na saúde, ampliando atendimento médico a regioes remotas, criou programas de combate a pobreza, reduzindo-a de 48 para 29% em pouco mais de um ano. Ampliou também a participação política da população e preocupou-se com a consicentização da sociedade em relação a seus direitos consitituiídos e garantidos por lei. Sabe-se que  quase todo pacote de alimento básico, possuia impresso trechos e artigos da Constituição Federal, numa tentativa de politização da população. E por fim, os índices do período demonstram grande avanço em relação a áreas como habitação e garantia de serviços básicos. 

    Por outro lado, como já dito, não investiu na diversificação da economia, apesar da nacionalização das companhias estrangeiras de petróleo e manteve a Venezuela dependente do ouro negro e deste modo, vulnerável a toda sorte de crises mundiais que envolvessem o recurso mais almejado do planeta. 

    Ai entra os EUA. Década de 2000,  Venezuela estatiza mais de 80% do seu petróleo enquanto as medidas neoliberais privatizam as petrolíferas no mundo. Hugo Chavez, na contramão de Bush, enfrenta-o ideologicamente nas reuniões e comitês internacionais, rememorando as ações imperailistas e dando seu recado claro: "aqui não, o buraco aqui é mais embaixo". Óbvio que a grande eleite empresarial do ramo petrolífero norte americano não deixaria barato e pressionando o governo estadunidense, surge a primeira tentativa de golpe, pós chavismo. Mas antes, o caos.  Estratégia antiga e eficiente do imperialismo. 

    Em 2002 Chavez foi sequesetrado por 48 horas, obviamente sob a instabilidade criada pelos oposicionistas ao regime (e aí não precisa ser expert em história para entender quem e o que movia a "elite" oposicionista), os quais promoveram grandes manifestações e embates públios entre os prós e os contras ao governo. Na confusão, Hugo Chavez foi responsabilizado pelo possível "derramamento" de sangue e sequestrado pelo alto escalão militar. Neste interim, um empresario (óbvio) se apresenta como "presidente interino", mas o que não contavam é com a reação do povo e até de patentes do exército leais ao presidente. Povo na rua, manifestações gigantes principalmente das camadas mais pobres da população, colocaram fim ao plano estadunidense em conluio com a elite venezuelana. 

    Com o fracasso do golpe, CHavez se fortalece e permanece até 2013, acometido por um câncer diagnosticado anos antes, o qual demandou várias cirurgias e uma unica tentativa em Cuba, de onde não voltou vivo. 

    Venezuela já enfrentava grave crise econômica, pelos embargos já conhecidos partidos dos EUA que foram se agravando cada vez mais, sem a mão forte de Hugo Chavez. Em seu lugar, restou Nicolás Maduro, um ex motorista de ônibus, sem a mínima condição de reger uma nação como estadista, aprofundam-se problemas sociais que tornam-se crônicos a cada sanção estadunidense, deixando de fato a Venezuela completamente vulnerável à política imperialista Norte americana. Resultado? Golpe. Desta vez o povo comemorou, pois Maduro nem de longe representa a força dos  Venezuelanos, que me parece, morreu com Chavez. Logo, nada de novo, apenas atores e contextos diferentes. Neste caso, o protagonista é amador e não suportou a pressão imperialista que em pleno século XXI, está com as mesmas estratégias, o mesmo roteiro e as nações concorrentes assistindo de perto, aguardando o momento em que Trump provoque de fato, prejuízo a suas economias... 
Até lá, salve-se quem puder... 

Aí você pergunta: e a China e a Rússia, parceiros da Venezuela? Bom, lembrando que também são imperialistas, mas ai é conversa para outro texto. Até lá. Espero ter ajudado. 


Marcia Fernandes 

Professora História 

Mestre em Educação e Docência UFMG

quinta-feira, 15 de maio de 2025

https://historiacorrente.blogspot.com/2011/10/necessidade-ja-foi-mae-da-tecnologia.html

terça-feira, 13 de maio de 2025

Escala 6 x 1 - A luta e resistência contra a mentalidade colonial escravista.



            



            O mundo do trabalho acompanha a evolução da humanidade. Não é possível falar da humanidade sem mencionar o trabalho como mantenedor da sobrevivência das civilizações. 

            E, ao mencionarmos civilização,  é comum associarmos o desenvolvimento em seus vários aspectos ao sentido semântico do termo.  No entanto, a história demonstra que a formação das civilizações, neste sentido, legou aos seres humanos uma série de normas, regras, princípios, enfim, leis que atuam como diretrizes eternas e que determinam valores à existência humana. E o trabalho ou a prática deste, tem sido o fator decisivo para o enriquecimento e progresso de uma civilização. Mesmo que esta riqueza se limite a pequenos grupos ou percentuais ínfimos da população que o compõe. 

            As mudanças dos meios e modos de produção ao longo da história, refletem a evolução do trabalho e consequentemente, as relações que o trabalhador mantém com este e seus frutos. Sabemos que a "linha de produção", substituta da artesanato e da manufatura, além de promover o fracionamento do exercício, deslegitimou o ofício ou a qualificação do trabalhador à medida em que este se submete a prática repetitiva e desprovida de sentido, pois não demanda na maioria dos casos, conhecimento especializado. Afinal, nos "tempos modernos", basta apertar um parafuso inúmeras vezes, ou operar uma máquina que faz em tempo menor uma quantidade infinitamente maior que um trabalhador artesanal seria capaz de fazê-lo. 

          Não obstante a separação do trabalhador de sua família, a perda da gerência do seu próprio tempo e a submissão ao tempo da produção, são fatores que exercem na vida de cada trabalhador, influências degenerativas em todos os aspectos, pois as horas de trabalho não são definidas considerando sua existência, sua fragilidade e vulnerabilidade humana. Ao contrário, são definidas considerando o número produtivo absoluto, de modo que, quanto maior, melhor para o dono dos meios de produção. 

         Neste contexto, surge no Brasil o debate a respeito da escala de trabalho. Na realidade, além do debate, um projeto encabeçado pelo PSOL - Partido Solidariedade, de orientação ideológica de esquerda, o qual compõe a base do governo. Na proposta, pedem  o fim da jornada 6x1 e para tanto, esmiúça os prós produtivos em detrimento aos contras que estes "prós" refletem na vida do proletário. 

    E o debate é esfervescente. De um lado, os defensores do empresariado, que só enxergam prejuízo na diminuição da jornada, mesmo com estudos na área provando que tal perspectiva, em países muito mais desenvolvidos economicamente, foi bem aceita e até implementada. Do outro, estão os defensores de uma jornada humanizada, na qual o trabalhador tenha algum tempo para recompor suas energias, conviver com sua família e no sentido literal, viver. 

E os trabalhadores, de que lado estão? A verdade é que não estão. Não têm tempo para refletir sobre o assunto, precisam trabalhar para receber ao final do mês um salário que na maioria das vezes, não é o suficiente para pagar suas obrigações que os mantém vivos. 

        Na realidade, os trabalhadores do Brasil, poucas vezes se unificaram para lutar por um salário digno e quando o fizeram, não se ativeram à questão das jornadas, uma vez que esta, por imposição, se naturalizou e se constituiu como parte imutável do processo de exploração e espoliação do trabalhador em todos os aspectos, limitando sua condição humana a de um agente produtivo, ativo, mantenedor de um sistema injusto e que favorece apenas um lado: o do empregador. 

        O debate segue com deputados representantes dos mais ricos, como o menino Nicolas Ferreira,  condenando veementemente a redução da jornada e de outro, os deputados da base governista e de partidos nominados de esquerda, lutando na tribuna para provar o óbvio: a jornada é excessiva e a redução é necessária até mesmo para a economia, pois dentre as perspectivas mais otimistas, o aumento da oferta de empregos,  é uma delas.

         Quanto aos trabalhadores e eleitores, muitos abduzidos pelo fenômeno do contraditório, reforçado pelas igrejas pentecostais e neopentecostais, incrivelmente defendem as elites econômicas. Outros, sem entender absolutamente nada da questão e como se diz por aí: "a ver navios", não acompanham o debate nem expressam opiniões... e por fim, os mais antenados, desejosos de que os representantes de suas vozes consigam reduzir sua jornada e , minimizem deste modo sua luta diária e por consequência,  melhore sua perspectiva de vida. Ou seja, : "segue o baile". Aguardemos as cenas dos próximos capítulos desta novela dantesca. 


Marcia Fernandes 

Mestre em Educação e Docência - UFMG

Prof. História

domingo, 26 de maio de 2024

O Cristianismo segundo o Pastor Henrique Vieira


Eu andei desacreditando na verdade do Cristianismo. 

Como ex-católica, ex-evangélica, me transformei em uma professora de História de certo modo agnóstica. Digo de certo modo, porque nunca deixei de acreditar na existência do bem e do mal, como algo transcedente. 

Acredito sim que existam tais energias e que nós, seres humanos, optamos diariamente por captar uma ou outra, mas sem que este ciclo interfira na nossa personalidade inata. Ou seja, acredito que o ser humano nasce com alguma tendência a se identificar com o bem ou com o mal e que o meio em que este é criado, ou sobrevive, o faz optar por um ou outro, com maior recorrência. E sendo assim, pessoas que praticam o mal mais vezes, sem arrependimento ou culpa, são pessoas que possuem tal energia inata. O bem pode até em determinados momentos influenciar suas ações, mas é o mal que lhe apraz. Do mesmo modo, o bem quando dá prazer e satisfação a alguém, este busca praticá-lo mais vezes e sempre que faz algo ruim, a consciência lhe cobra, pois tal energia, a do bem, é inata. 

É nisto que acredito. E por muitos motivos que não vêm ao caso agora, passei a acreditar que o Cristianismo, aquele que surgiu a partir das palavras de Cristo, havia morrido com Ele na crucificação e que a partir daquele momento, tomou as rédeas de suas ideias a mentira, a maldade e o engano. A partir dali, pessoas usavam tais palavras a bel prazer e que a bondade existente em suas mensagens, transformaram-se em justificativas para o mal em certa medida, pois as igrejas se transformaram em templos de vaidade, de orgulho e vingança. 


Mas hoje, dia 26 de maio de 2024, pela primeira vez em muito tempo, entendi que estou equivocada sob muitos aspectos. Não é deste modo. E chequei à esta conclusão quando ouvi um homem incrível, o  Pastor Henrique Vieira,  a quem sigo nas redes sociais há algum tempo, deputado federal e ativista incansável na luta contra o mal dentro do congresso e fora dele. O Pastor participou do programa do ICL, o Instituto Conhecimento Liberta... Um instituto com uma missão incrivel de levar o conhecimento genuíno àqueles que têm sede de saber.  O pastor falou por uns 25 minutos e tudo o que ouvi dele, me fez chorar muito. Chorei porque me senti desnudada de minhas convicções e compreendi que o Cristianismo não está morto. O que está morto é o cristão que, perdido em seus devaneios e suas aspirações das mais vaidosas possíveis de existir, dia a dia, busca transformar o Cristianismo em algo perverso, promíscuo, leviano, sujo e homicida. 

Desde que a Igreja Católica Apostólica Romana foi criada, esses seres humanos perversos em suas essências, usaram e abusaram do Cristianismo a seu bel prazer. E quando me refiro a Cristianismo, não me refiro à religião Cristã, mas sim às palavras de Jesus Cristo, o homem subversivo, amante dos perseguidos, dos injustiçados, dos pobres, dos doentes. Esses líderes religiosos e seus seguidores, recriaram um Cristianismo embasado na energia do mal. Um Cristianismo que separa, que mata, que mente, que destrói. Um Cristianismo que se alegra com a desgraça dos inimigos, que se regozija com a vingança que chama de "divina".  Foi assim por mil anos, dez séculos e aí surgiu uma versão renovada que parecia trazer à tona o veradeiro cristianismo, aquele fiel às palavras de Jesus. Mas imediatamente, com o assassinato dos anabatistas, de freiras, de padres, mostrou-se como uma nova versão maléfica de uma religião que criava braços através de seus remanascentes. O braço protestante, o braço espírita racista, os braços materializados em inúmeras ideologias, teologias, dógmas... 

Mas a notícia boa é que no meio disso tudo, existiram e existem os Henriques Vieiras... Pessoas de fato comprometidas com a semente do bem, com a energia do amor. E que lutam incansavelmente, por transformar o Cristianismo maléfico, em amor, em cuidado, em respeito, em testemunho de Jesus Cristo. 

O Pastor Henrique, de uma simplicidade que chega a comover, é puro amor. É pura compaixão, assim como o Padre Julio Lancelotte. Ele é a prova viva de que Jesus vive. Ele não fala em prosperidade, não fala em atributos físicos, não fala em bençãos específicas. ELe fala somente em amor e de amor. Fala de Justiça, de tolerância, de perdão, de compaixão, de cuidado. E durante sua fala, pela primeira vez depois de quase duas décadas, eu consegui sentir o amor de Cristo e me  identifiquei com tudo o que ele dizia e chorei. Chorei porque, infelizmente, o mal existe e continuará sua batalha. Chorei porque eu sei que não sou santa e que preciso mudar muito em mim, mas chorei porque eu sei que minha essência, minha energia é do bem. 

E pela primeira vez depois de muito tempo, eu não sinto vergonha de dizer que sou cristã. Não tenho pastores, não tenho igreja e não tenho religião. Eu apenas sou cristã. EU acredito em Cristo e na mensagem que Ele e tantos outros como ELe trouxeram e foram massacrados. Acredito que Ele e tantos outros não morreram e que existem vários deles por aí, e que são meus parceiros e meus iguais. 


POr fim, só posso dizer: obrigada Pastor Henrique Vieira, por trazer de volta a minha fé. Cristo está vivo. Não conseguiram matá-lo. E nunca conseguirão.


"Vejo a vida passar num instante
Será tempo o bastante que tenho pra viver?
Não sei, não posso saber
Quem segura o dia de amanhã na mão?
Não há quem possa acrescentar um milímetro a cada estação
Então, será tudo em vão? Banal? Sem razão?
Seria... Sim seria, se não fosse o amor
O amor cuida com carinho
Respira o outro, cria o elo
O vínculo de todas as cores
Dizem que o amor é amarelo
É certo na incerteza
Socorro no meio da correnteza
Tão simples como um grão de areia
Confunde os poderosos a cada momento
Amor é decisão, atitude
Muito mais que sentimento
Alento, fogueira, amanhecer
O amor perdoa o imperdoável
Resgata a dignidade do ser
É espiritual
Tão carnal quanto angelical
Não tá no dogma ou preso numa religião
É tão antigo quanto a eternidade
Amor é espiritualidade
Latente, potente, preto, poesia
Um ombro na noite quieta
Um colo pra começar o dia
Filho, abrace sua mãe
Pai, perdoe seu filho
Paz, é reparação
Fruto de paz
Paz não se constrói com tiro
Mas eu miro, de frente
A minha fragilidade
Eu não tenho a bolha da proteção
Queria eu guardar tudo que amo
No castelo da minha imaginação
Mas eu vejo a vida passar num instante
Será tempo o bastante que tenho pra viver?
Eu não sei, eu não posso saber
Mas enquanto houver amor, eu mudarei o curso da vida
Farei um altar pra comunhão
Nele, eu serei um com o mundo até ver
O ponto da emancipação
Porque eu descobri o segredo que me faz humano
Já não está mais perdido o elo
O amor é o segredo de tudo
E eu pinto tudo em amarelo".
Pastor Henrique Vieira. 




sábado, 30 de março de 2024

Sobre o fatídico 8 de Janeiro

 o "8 de janeiro de 2023"


Foi um dia emblemático. 

Estava em casa, quando a tv e a internet começou a transmitir a invasão ao Planalto. 

Fiquei boquiaberta com a atitude dos chamados "cidadãos de bem". 

É fato que estavam se preparando há tempos, mas creio que ninguém imaginava que seriam capazes de fazer o que fizeram, apesar das demonstrações de desequilíbrio que pipocavam nas redes sociais. 

Confesso que assistir aquela depredação em tempo real, me assustou muito. Pensei por um instante que decretariam algo, ou que o exército se manifestaria. Mas até então, a palavra golpe, me soava como algo inalcançável considerando o déficit cognitivo do ex-presidente, seus aliados e eleitores. Mas, subestimamos essa gente. 

Hoje sabemos que estivemos por um triz. Até minuta de golpe fizeram. Essas pessoas acreditavam piamente que as forças armadas tomariam o poder e eles seriam "salvos" da "ditadura comunista". 

E é este o ponto que me deixa estarrecida. Essa gente toda, que em nome de "deus, pátria e família", invadiram o planalto, depredaram o patrimônio público, ameaçaram os ministros do Supremo de morte, choraram, gritaram, agrediram agentes da segurança pública, cagaram literalmente no planalto, acreditando que faziam tudo isso em nome da luta pela "liberdade". 

"Mas o que está acontecendo com essa gente?", pergunto eu! Estamos em pleno século XXI e é difícil acreditar que pessoas adultas estão agindo deste modo, por medo de um tal "comunismo"!

E aí, só consigo pensar: "O que nós professores de história fizemos essas últimas décadas em sala de aula? "

Onde falhamos? Não lecionamos história? O que aconteceu para que pessoas adultas, pessoas que passaram pelo ensino fundamental, médio, não fossem capazes de entender que o Brasil NUNCA FOI UM PAÍS COMUNISTA! Nem se João Goulart tivesse implementado as reformas de base, que foram o estopim para o golpe de 64, ainda assim, não seríamos um país comunista! 

Não há como ser um país comunista em pleno século XXI, onde o capitalismo já abocanhou todas as economias do mundo e dita as regras para sobrevivência neste cenário. 

Não há como, é impossível implantar um comunismo dentro do sistema capitalista! 

Quem comanda o mundo é o capital! Quem dá as cartas de quem deve comer, quem pode consumir, quem pode viver, e quem deve sobreviver apenas, é o capital! 

Não tenham medo do comunismo! O comunismo nem existe! Foi uma teoria criada por alguém que acreditava na distribuição das riquezas como meio de se alcançar a justiça social. Mas foi só uma teoria gente, não foi uma forma de governo implementada, não foi um regime, não foi nada. Comunismo não passou de uma teoria! "Ah, mas e a URSS? E Cuba? E Venezuela?". Também não o foram, não o são. URSS implementou um regime de governo sob a alcunha de socialismo, mas não era nem de longe. Aplicou alguns princípios como estatização e reforma agrária, mas ao mesmo tempo implementou uma ditadura sangrenta, perseguição aos opositores e uma série de medidas que nem de longe faziam parte da teoria criada por Karl Marx! Cuba não é socialista, não é comunista! Cuba promoveu uma revolução e a nomeou de socialista, em oposição ao capital que massacrava, explorava seu povo, e por isso sofreu os piores embargos do sistema capitalista que é o sistema que comanda o mundo! Até hoje, as mazelas do embargo confinam a ilha, que luta desesperadamente para sobreviver e ter autonomia, mesmo diante dos embargos, dos boicotes, das políticas de opressão do sistema capitalista! Venezuela??? Socialista??? Então qualquer governo de qualquer país que se opuser aos princípios do capital e tentar alcançar autonomia é comunista? Precisam estudar, estudar e estudar! 

A realidade é que infelizmente , o mundo jaz no capital que não deu certo e mata milhares e milhares de pessoas no mundo todo, mas que por se estabelecer sob uma falsa ideia de liberdade individual, escraviza o povo e submete grande parte da população mundial às condições de vida sub-humanas. Mas isso não importa, não é? Não é você. Então, acredito que fazem isso, só pra brincar de politizados ou de lutadores pela liberdade e aí se arregimentam pra lutar contra o "monstro" que criaram e mostrar ao capital que na verdade, são subservientes e bons escravos, nada mais. 

Fiquem tranquilos, fiquem em paz. A justiça social está longe de ser alcançada. Com essa mentalidade, não haverá justiça social neste planeta e vocês poderão continuar humilhando o porteiro, pagando mal a faxineira, usufruindo das universidades públicas no lugar dos pobres, sem serem incomodados. Só tomem cuidado, porque agora tudo é filmado e cai na rede e se cai na rede, vira peixe. Mas os seus racismos, os seus elitismos, seus complexos de superioridade infantil, suas mentalidades retrógradas, ainda existirão por longo tempo... 

Afinal, nem Jesus que se dizia Filho de Deus, que inspirou ao cristianismo e que muitos "cidadãos de bem" sem saber, declaram ser cristãos... pois nem Ele foi capaz de implantar a justiça social, e por tentar, foi torturado e morto por suas palavras que pregavam justiça e igualdade!

Fiquem bem, fiquem em paz. O comunismo não tomará seus bens. Só os bancos farão isso. Então, parem de palhaçada, de criancice, de mimimi e voltem para o trabalho. Porque se você não é herdeiro(a) ou não faz parte dos super ricos, você precisa trabalhar e muito para se sustentar... Como é que vai comprar sua passagem de avião no cartão de crédito em dez vezes ou usar aquele perfume importado comprado na Riachuelo, C&A ou Havan? Pois é... vá trabalhar que o sistema é bruto. E não é comunista, é capitalista. 




Relembrando pra não esquecer nunca!

 



Amanhã, dia 31 de março de 2024, completará 60 anos do golpe Militar.

Como professora de História, não posso me calar.
Como diz a música de Chico e Gil, Cálice, "como beber dessa bebida amarga"?

- "Mas professora, já passou!"
Não, não passou e jamais passará!
A memória histórica torna "difícil acordar calada".
Ouvir pessoas enaltecendo o regime, ignorando a tortura, a censura e as mortes, faz emergir o "monstro da lagoa".
Não meus queridos. O regime militar não deve ser esquecido jamais e conclamo aos professores de história de todo o Brasil - os professores de verdade - a relembrar o golpe a semana inteira... a levar à sala de aula os testemunhos da tortura, das mortes, da miséria imposta à população menos favorecida. Relembrar os contrabandos feitos por policiais, os desvios bilionários de prefeitos, governadores, presidentes. Relembrar a "bebida amarga", que nos fazia "engolir a labuta" para enriquecer os "filhos da outra"... da outra "realidade menos morta..."
Ditadura Nunca mais! Mas que a memória histórica permaneça!



segunda-feira, 4 de abril de 2022

A DERROTA DO BOLSONARO E SEU CLÃ

 


Conversando outro dia com meu amigo, professor de filosofia e totalmente cético quanto a possibilidade de derrocada de Bolsonaro, fiz um apanhado das tendências políticas históricas deste país. Lembrei ao amigo de que, as mesmas forças que operam na ascensão ou derrocada de governos, está de saco cheio do bolsonaro. E com ele não será diferente. 


O ventríloquo não saiu como o esperado. Acabou por transformar um governo que deveria ser um laranja, em uma propriedade do seu clã. Pirracento, de poucos ouvidos, transformou a frágil relação internacional do Brasil com países estratégicos, em uma guerrinha de nervos, motivada pela ideologia patética de um conservadorismo de fazer vergonha aos conservadores de fato. Mobilizou um exército de lunáticos trapalhões que só pioram sua situação, ao passo em que os colocou como ministros, um bando de picaretas tão lunáticos quanto, acreditando que sendo "o seu governo" e "seus ministros" , as instituições também seriam "suas". Ledo engano. 

Declarações como "meu exército verde" causou repulsa até ao mais reacionário das forças armadas! Como assim, gente? "Meu exército"? 

A elite formada por industriais e comerciantes  se viram em apuros. Fuga de montadoras. Desemprego exorbitante. Nenhum investimento no setor produtivo. Escalada milionária nos gastos do governo. Pandemia. Morte. Diplomacia zero. Fim do Trump.  

O cara, influenciado pelo filho miliciano, articula golpe que é rejeitado pelo parlamento e ainda, leva pá de cal das forças armadas onde até seu vice assinala não haver a menor chance de ruptura institucional. 

Por outro lado, o presidente Lula, destinado a voltar a nos governar, ganha tanta força, que até aqueles que fritavam seu governo, voltaram atrás e reconheceram a merda que fizeram por ceder ao golpe. 

Bozo além de cair, vai ser sepultado por suas ações, suas palavras, seus gestos...
O legado de seu desgoverno serão os problemas que criou e agravou, mais um bando de lunáticos, religiosos e essa classe mérdia , verde amarela provinciana e que faz continência até pra caixa de cloroquina! 

Eu sei que tá foda.mas creiam...vai passar. 
Amanhã, vai ser outro dia...