Tema inesgotável... eu sei...
Na minha mente então...afffff
Por isto quero descer a lenha mais um bocadinho...é uma espécie de "desabafo"...
O capitalismo precisa de tragédias, de catástrofres e claro, de guerras ...para sobreviver...Precisa de instabilidade econômica de países periféricos, precisa de instabilidade política, precisa sobretudo manter a desigualdade social destes países...
Este sistema produz a abastança para poucos e a desgraça para muitos. Como abutre, sobrevive da morte, do despojo, da injustiça, da miséria...
Aliás, sua ascenção como sistema global, consolidou-se com as grandes guerras.
A economia capitalista não consegue sobreviver em meio à possibilidade de um “pretenso” equilíbrio das contas de países emergentes principalmente, e nem tão pouco a um alinhamento político-ideológico destes países... vai que cismam de realmente, de verdade, formarem um bloco e pior, com viés socialista? Capitalista já seria uma ameaça e tanto, imaginem socialista?
Mas por quê? É óbvio.
São estes países que fornecem todo o combustível necessário para a sobrevivência do sistema. Desde a dependência econômica à política, em forma de acordos unilaterais, à perpetuação de grandes mercados de consumo que simultaneamente são também mercados fornecedores de matérias primas, tudo isto aliado à perversa lógica de submissão cultural de sociedades inteiras mascaradas de “modernas”...
Ahhh o sistema capitalista... muito além de um sistema econômico, o capitalismo transformou-se em filosofia de vida, neste mundão “globalizado”.
Percebe-se pelo discurso das pessoas de um modo geral. Quem nunca pensou em defender este sistema, quando em posição um pouco melhor que o outro que está a seu lado? Pra ser mais clara, quem nunca bateu no peito ao conquistar o “seu lugar ao sol”, quando se depara com um infeliz que nunca conseguiu sequer um “bronzeadinho” momentâneo?
Ouço o tempo todo a filosofia de vida capitalista. Aquela que preza sobretudo, mas sobretudo mesmo, o bem estar econômico de si próprio e de sua família. Mas que mal há nisso? Temos sim que prezar pela boa vida, pelo sustento, pelo conforto de nossas famílias... isto é moral, é ético, é legal, é bonito de se ver. Jamais diria algo contra.
Mas , por outro lado, julgar a péssima vida do outro, sua condição miserável... sua desgraça social simplesmente por sua “falta de competência” ou “preguiça”, é o mesmo que cuspir pra cima...
Deixa eu explicar porque: vc que nasceu pobre, sem oportunidades caídas do céu... sem ter olhos azuis ou talento pra jogador de futebol, teve que ralar feito um louco, fazer malabarismos e até milagres pra chegar onde chegou... saiba que, vc ao agarrar as oportunidades que lhe apareceram, teve que pisar na cabeça de pelo menos, no mínimo dez outros que diferente de você, não conseguiram ainda, pisar na cabeça de ninguém.
E daí? É pra ficar com consciência pesada por ter conquistado seu espaço? Não, claro que não. A filosofia de vida atual não nos permite ter isto...esta empatia... esta coisa de se colocar no lugar do outro...
O importante, é vencer... ter... ser...e o resto, que se dane ou que cresça o suficiente pra pisar na cabeça dos outros também...e conquistar seu lugar ao sol....
Eu fico observando a perversidade do sistema. Nas propagandas, o fomento a conquistar uma casa, um carro novo, um a qualidade de vida indiscutivelmente deliciosa... hummmm ...os atrativos, tudo lindo.. cabelos lindos, corpos lindos, perfumes maravilhosos... pessoas lindas... sorrindo...comidas...hummmm tudo maravilhoso...
E aí penso naquele indivíduo que paga pra ver tudo isto, nas novelas, nos filmes, nas propagandas...sem se dar conta que paga pra ver, sem ter direito de sonhar em ter... já que o seu salário é tão mínimo que mal dá pra pagar a conta de luz...que dá energia à TV...que é meio de comunicação e que transmite a idéia.
Mas continuam as novelas, as propagandas... passando para uma minoria... que tem condições de adquirir, mas alcançando uma maioria que sequer pode sonhar em alcançar tudo aquilo.
Não me conformo. Sou pobre... sou revoltada. Falo por mim, agora.
Sou pobre. Aquele carrão... que quase fala sozinho... aquela casa da propaganda, onde falam em “cheirinho de limpeza”... eu não conheço...nunca conheci e sinceramente, por minhas condições financeiras atuais, nem posso sonhar em ter... a não ser que ganhe na loteria... na telesena...
mas trabalhando? Não...não tenho esta ilusão.
Ai penso em outros, ainda piores que eu... num grau abaixo de mim na pirâmide social. E aí não consigo usar isso pra me conformar com minha vida... muito pelo contrário... eu penso que eu como pão com manteiga todo dia...como o que quero... como dizia minha mãe “no ponto de pobre, tenho o que quero”...
Já passei muita fome quando criança... mas hoje como o que quero... tomo banho quente... tenho filhos saudáveis...marido comprometido com a família... como carne todo dia...ando de carro...viajo pra praia...mas...ainda assim, este maldito sistema consegue me deixar revoltada. Sou pobre e revoltada.
Revoltada quando penso que na minha pobreza, ainda estou melhor que outros.
Revoltada quando vejo crianças batendo à minha porta, pedindo alimentos... mulheres pedindo roupas de recém-nascidos...
Revoltada quando vejo em escolas,crianças descalças... que têm como único alimento a merenda do dia.
Revoltada quando vejo adolescentes se enfiando em drogas, sem perspectivas de uma vida melhor, sem estrutura familiar, sem como se diz: a tal sorte... do sistema...
Revoltada quando ouço estes discursos egoístas, individualistas ,egocêntricos sobre “vencer na vida”, “ eu conquistei”... “eu tenho”... como se isto fosse fácil...como se isto não fosse um caminhão de sorte aliado à na maioria das vezes, sua carinha bonita e branca... como se isto não fosse exceção à regra... e como se a regra não fosse a desigualdade e a exclusão!!!
Eu sei que muitos podem ironizar o texto... pensar que sou uma derrotada...aliás, a filosofia do sistema é assim...quem reclama é derrotado... quem se revolta é derrotado...
Mas eu sei também que muitos se identificam com o que digo... e esta é a minha esperança...
A de que a filosofia de vida deste sistema, ainda não tenha alcançado absolutamente todos... em todos os sentidos...
E que ainda, um dia... o ser humano vai entender que somos iguais... e esta diferença gritante que nos separa, é desumana...é má...é perversa... e é fruto deste sistema.
E que o ser humano, aos poucos, por si mesmo, vá querer mudar...