pausa pra reflexão...

bem vindo ao meu cantinho...

terça-feira, 29 de junho de 2021

A Hecatombe brasileira, Parte II - A morte e ressurreição de Lázaro.

 


    Mataram o Lázaro de novo. Só que desta vez, o Lázaro havia se transformado em serial Killer, em psicopata e até “macumbeiro” como diziam. Encontraram indícios de rituais satânicos na mata, segundo a polícia.  Mas, não adiantou.  Mataram o Lázaro de novo.

    E vão continuar matando os Lázaros, porque ele só serve para um propósito: fazer o serviço sujo.  Isso mesmo. E quem faz o serviço sujo, sempre leva a pior.

    Escolhem o Lázaro a dedos. Geralmente alguém sem estrutura familiar, sem cultura, sem empatia, sem condições de vida. Geralmente, alguém que não tenha nada a perder. Mesmo que tenha, o Lázaro geralmente acredita que não.

    E ele vai e faz o serviço sujo por algum dinheiro e continua fazendo, até que o matem.

    Mas o Lázaro, como diz a Bíblia, sempre ressuscita. E o serviço sujo continua.

    A polícia brasileira não quer saber quem é Lázaro, nem a mando de quem ele mata. A polícia só quer matar o Lázaro, porque a polícia brasileira, só sabe matar.

    Infelizmente, a realidade é que nossa polícia não tem a menor capacidade ou preparo para aprofundar em questões básicas sobre a vida de Lázaro, sua missão, suas ações, seu trabalho, seus patrões. E o pior, na maioria das vezes essa mesma polícia, também possui outros Lázaros em sua corporação, com outros nomes, mas milicianos e matadores de aluguel, iguais.

    Tem o caso do Lázaro já morto e ressuscitado, andando em bando de Lázaros, matando os índios Guarani Kaiowá, em 1953, lá no Mato Grosso do Sul! E continuou matando até que em 2011, dizimou quase uma tribo inteira! E seguiu matando família de pequenos agricultores cuja terra importa muito ao agronegócio. O Lázaro invade, mata famílias à machadada, a facão, à tiro de pistola. Enfim, ele mata.

    E foi morto de novo pela polícia. Porque sempre que ele compromete seus patrões, a ordem é matar. Mas quanta ironia, ele ressuscita rapidinho e continua “aterrorizando as famílias do interior”.

    Interessante é que a sociedade brasileira, assim como eles, tanto Lázaro quanto seus patrões e a polícia, não se satisfazem com o sangue derramado. a sociedade e a polícia até ficam consternados pelas famílias mortas por Lázaro, mas quando têm a chance de ver o corpo dele cravado por “trocentas” balas, batem palmas e se sentem aliviados, pois Lázaro morreu. Agora estão felizes.

    Só não conseguem nunca e jamais vão conseguir compreender como funciona essa história do Lázaro. Não sei se por ingenuidade, por ignorância, ou por omissão. Pois continuam fechando os olhos para o óbvio,  batendo palma para a polícia assassina e omissa e em alguns casos até cúmplice, quando esta lhes oferece o corpo perfurado do Lázaro, ou aquele sem cabeça do Lázaro travestido de Lampião, dizendo que o problema acabou. Podem dormir tranquilos.

 Pois é. Mas, logo, logo, ele ressuscita e teremos espetáculo de novo.

 Aguardemos.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

A Hecatombe brasileira...Parte I


 

imagem disponível em : https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi71VSihqxezGAD-Q7LhXCnbY8mdNbiWsVn_XWCR2pgJ_kCWx63S_d1AFpfLt5eajFkQcLMBbT2clbGmw33q9594AZoO2VOlV78a6-uKiVRCyMGfjZVQK9gTH2Yuw_z8Wete_b3e_ac1fY/w1200-h630-p-k-no-nu/Digitalizar0097.jpg

 

         Como professora de história, fico me imaginando daqui a dez, quinze anos em sala de aula. 

            Como vou explicar este tempo, num futuro incerto? 

        Incerto porque não sabemos hoje o que nos virá daqui a um mês, que dirá daqui a alguns anos,  já que desde o golpe contra o governo da Presidenta Dilma, o que experimentamos foi uma espécie de hecatombe, anunciada, diga-se de passagem. 

        Não que estivéssemos indo maravilhosamente bem com o governo petista. Mas sem dúvida alguma, qualquer outro governo fora o atual e o antecessor golpista, supera qualquer desgoverno brasileiro ou até mesmo mundial, levando em conta o saldo nefasto que estamos amargando desde que Temer e Bolsonaro assumiram o governo, respectivamente. 

        Me lembro que há 13 anos, os comentários que permeavam minha linha do tempo no facebook, eram sobre a crise imobiliária nos EUA e suas consequências para aquele país e para os países da Europa, cuja economia dependia diretamente do turismo. A Grécia que o diga, pois foi um dos países mais afetados. Aqui no Brasil, falávamos e replicávamos a famosa “marolinha” , que “não daria nem pra esquiar” como dizia Lula.

        Mas não foi nem de longe uma marolinha. Não imaginávamos que seria uma hecatombe e que uma década mais tarde, estaríamos diante de um governo que, aproveitando-se das consequências da crise mundial, se vendeu às aspirações mais nefastas do mercado internacional. Perdemos em pouco tempo, o que levamos décadas e mais décadas para construirmos. Foi um desastre o que nos aconteceu. Nem mesmo a chamada década perdida, com toda aquela instabilidade e aumento de dívida interna e externa, promoveu tamanha desgraça ao nosso país, como tem feito este governo. Antes estivéssemos convivendo com remarcações de preços, com déficit de contas públicas, com precarizações de todo tipo, mas que de algum modo, nos permitia acreditar que haveria em algum momento uma saída, como ocorreu com o plano real, após vários planos falidos e malfeitos. Não. Este governo que chamarei daqui em diante de desgoverno, não nos permite enxergar uma “luz” lá no finalzinho do túnel! A causa ambiental, a indígena (absurdamente querem com uma MP estabelecer marco temporal, contra a própria constituição de 1988), a causa trabalhista, enfim, são ataques de todos eles, por todos os lados. 

        Seus ministros, sem exceção alguma, são de um primitivismo de fazer inveja a qualquer protozoário (que me perdoem os protozoários por esta ofensa). Não possuem qualquer organização, qualquer qualificação técnica, qualquer formação ética, ou qualquer outro aspecto humano que determina a diferença entre um ser racional e uma ameba.

        Não possuem um projeto sequer. Não se organizam. Não são capazes de comunicarem entre si, de tentar de algum modo compreender um ao outro para que juntos, pudessem ao menos tentar se organizar em meio a tanto desmando.

        E para piorar nossa desgraça, uma PANDEMIA que em qualquer outro país, por mais pobre ou subdesenvolvido que seja, foi capaz de estabelecer o mínimo de consenso entre os gestores públicos, no que tange a protocolos de higiene e isolamento social. Mas aqui não. Aqui , nosso governo é pró-pandemia. Ele é negacionista. Se apresenta enganosamente como religioso (nem isso é capaz de ser ),  arregimenta milhares dos seus seguidores, todos de mesma espécie, piorando diariamente nossa condição diante de um vírus mortal, que ceifou meio milhão de pessoas.

        Governa na base da mentira. Tudo é mentira. Espalhou essa mentira por todo canto deste país. As redes sociais são seu principal instrumento de disseminação de ideias absurdas, que negam a racionalidade e submetem milhares de pessoas a um submundo irracional, movido a emoções desajustadas e que promovem toda sorte de discórdia e separação. 

        Sem citar que, de maneira assustadora, foi capaz de fortalecer uma moral que estava sendo desconstruída com muita luta e resistência de grupos que até então invisíveis, conseguiram de algum modo alcançar um espaço na dita sociedade brasileira. Uma moral nefasta, desprezível, racista, homofóbica, machista que só oprimiu e invisibilizou grupos inteiros.

       Sabemos que esta moral sempre esteve presente em nossa sociedade. No entanto, neste desgoverno, ela cresceu avalizada pelo representante da nação, que incita todo tipo de maldade e desprezo contra todos os que não compactuam com suas ideias.

        Não sei como explicarei este tempo, no futuro. Na verdade, não sei nem se haverá futuro. Retrocedemos tanto em tão pouco tempo, que fica quase impossível traçar uma conjectura  que possa sobrepor o tempo perdido.

        Talvez, em 2022 haja alguma mudança. Não sei ainda. As disputas continuam. De um lado está o genocida, ávido por dinheiro, por mortes (ele disse durante a campanha que queria 30 mil mortos e que a ditadura deveria ter matado mais. Ele ultrapassou os 30 mil com louvor). Do outro estão grupos divididos, disputando espaço como se houvesse neste contexto, espaço para ser disputado. Não se entendem. Não se ajudam. Só fragmentam. É como se não enxergassem essa hecatombe. E ela, a hecatombe avança. Impiedosa. Engolindo corpos, maltratando vidas.

        “Como será o amanhã? Responda quem puder...”


sábado, 26 de dezembro de 2020

Jesus, o revolucionário...




Sobre Jesus: Um emaranhado de conceitos e teorias a seu respeito.Ateus o ridicularizam, cristãos o deturpam, céticos o observam com curiosidade...Mas, independente de tudo isso, o que não se pode negar é que ele foi um revolucionário em seu tempo. Um ser que demonstrou um amor profundo aos pobres, uma intolerância muito clara às injustiças e sobretudo, uma inteligência tremenda para pregar a revolução de forma pacífica.

Hoje, eu sei que o cristianismo está muito longe de seus objetivos, de sua revolução. Constantino o adaptou às suas conveniências e nossos contemporâneos o deturpou em função de seus interesses, os mais mesquinhos possíveis e que atendem bem ao sistema vigente.
Mas e Jesus?
Quem pode dizer que Ele pregava a submissão dos pobres aos ricos, se foi Ele o precursor da conscientização dos menos favorecidos em relação à igualdade de direitos?
Quem pode dizer que Ele queria "amansar o boi" para que fossem ao matadouro, se foi Ele quem, em um tempo conturbado, de escravidão e miséria, levantou a autoestima de um povo subjugado por impérios e por religiosos ávidos por poder?
Não! Não mesmo! Os ateus falam do que sequer se dispõem a conhecer e O julgam com o mesmo radicalismo que os escribas e fariseus o julgaram em Seu tempo!
Os céticos o desacreditam baseando-se em suas próprias verdades absolutas, o enxergando com olhos contemporâneos, sem levar em conta que Ele encarou em seu tempo uma sociedade patriarcal que suprimia a participação em igualdade dos gêneros, na vida cotidiana.
Os cristãos ... ahh muitos o condenaram ao vexame religioso das trocas, dos sacrifícios, das promessas de redenção convenientes...
Mas NINGUÉM é credenciado para desmoralizá-lo, quando leva-se em conta suas palavras de JUSTIÇA, IGUALDADE, AMOR E REVOLUÇÃO.
Jesus não precisa de advogados. Ele basta-se a si mesmo.
suas virtudes como Homem ( e digo como Homem e não como Filho de Deus) são suficientes para calar a boca de qualquer um que se diga sábio.
Nem tantas filosofias, nem tantos conhecimentos...nada disso supera a simplicidade e sabedoria de alguém que tratando com simples e humildes, dispôs-se em amor para promover uma revolução.
Se Ele estivesse aqui, provavelmente seria crucificado de novo, por tantos "sábios" que tornaram-se loucos diante de Sua Sabedoria.

sábado, 6 de junho de 2020

A FACE DA MALDADE BRASILEIRA...


a face da maldade - Blog do Nélio


Tanta coisa aconteceu desde a última postagem, que fica complicado fazer um remake à altura. Desde que o golpe foi instituído, este país parece descer ladeira abaixo, em alta velocidade e pior, sem perspectiva de que alguém assuma o comando e retome a condução.

Mas, para piorar e muito nossa expectativa de futuro, além daquelas medidas administrativas de cunho econômico, político e  social, tem ganhado destaque uma classe de pessoas da sociedade brasileira que se mostra de uma perversidade inominável. Não me refiro àqueles de verde amarelo, imbuídos de uma ignorância política absurda, mas a pessoas específicas.  Essas pessoas, que por seus pensamentos e atitudes, demonstram quase que uma psicopatia, não são capazes de desenvolver o mínimo de empatia. Nem por animais, nem por seres humanos, nem por nada, nem por ninguém.

Racismo, homofobia, elitismo, misoginia, roubo, assassinato e mais um monte de práticas perversas e abomináveis, fazem parte da “normalidade” para essas pessoas, desde que as vítimas sejam pobres e fora do seu campo de interesses. E estou falando de gente de perto da gente também. Gente da família, da escola, do bairro ... além daquelas que normalmente o são: os ricos. 
Conclui-se que esse tipo de gente, os psicopatas, não tem classe social. Não são só da classe média ou alta. Elas estão em todos os lugares, de todas as classes. Óbvio, que visibilidade se tem quando é alguém pobre, ou classe baixa. Mas este tipo específico de gente do mal, não tem classe social. Pode ser um policial,  professor, lavador de carros, industrial, uma esposa de prefeito corrupto, um senador, um presidente da República. Porque o caráter não está no bolso. Este tipo de caráter é inato. É questão de índole. Essa gente do mal nasce assim...eles não se importam.
Coisas que pra nós são terríveis, como a do menino que caiu do prédio por negligência e maldade de uma egoísta, psicopata, para essas pessoas específicas, não significa nada. Eu li que tem gente considerando que a mulher não tinha obrigação de cuidar do filho da empregada e aí, desprezam o fato de uma adulta deixar uma criança sozinha em um elevador.

Não sei o que pensar nem o que sentir mais, pois é um emaranhado de dor e revolta, ressentimento e mágoa, que consome quem não faz parte desse grupo de perversos.
O jeito é seguir e continuar lutando pra ocupar os espaços, até que estes daí sejam uma minoria inútil, fadada ao ostracismo , que é o lugar que merecem.




sexta-feira, 15 de março de 2019

A Falácia do "Padre Fábio"


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Um suposto texto do Padre Fábio de Melo, conhecido por ser padre e artista, formado em teologia e filosofia, está circulando nas redes sociais, no qual ele teria apresentado possíveis motivações para o massacre ocorrido em Suzano. No texto, o autor procura eximir de responsabilidades o governo mesmo diante do fato de que este, desde sempre, cultua o uso de armas e a violência como meio de solucionar conflitos, além da estratégia de eliminar “inimigos” através da morte; cita em sequência,  também excluindo das possíveis causas de tamanha tragédia, jogos violentos, o bullyng e a omissão das escolas (não especificou em que sentido). Em seguida, nomeia como causa a desestruturação das famílias, a falta de diálogo, este  substituído por redes sociais e ainda, os “presentes” como moeda de troca para se cumprir direitos e deveres e por último, o que ele chamou de “desconhecimento de deus”.

Abaixo, uma análise a respeito do discurso atribuído ao padre, o qual levarei em consideração como fundamento de sua análise, a formação religiosa e moral familiar deste, e que representa bem grande parte da ala conservadora de nossa sociedade. Isto, porque a  "moral e bons costumes" ditados pela formação religiosa, influencia na compreensão de conceitos como família, estruturas sociais, deus, deveres e direitos, escola e sobretudo, governo como Estado – instituição político-administrativa responsável pela manutenção da lei, ordem, dignidade e sustento de toda a sociedade nas áreas da educação, saúde e segurança.

Relembrando crimes cometidos contra estudantes no Brasil, estes tiveram início em 2011, em uma escola situada no Rio de Janeiro, Realengo, com saldo de 22 feridos e 13 mortes (incluindo o assassino). Em 2017, no Estado de Goiás, além de 2 óbitos, uma aluna ficou paraplégica e três gravemente feridos. Em Janaúba, MG, no mesmo ano, uma creche foi incendiada por um segurança, deixando um saldo de 14 mortes e 37 feridos com queimaduras severas.

Analisando os casos, o que há em comum entre os crimes é a expressão e manifestação  do ódio, da vingança e da determinação de pessoas que aparentemente, possuíam como motivação, no caso dos dois primeiros, a prática do bullyng e no último, indícios de doença mental, a esquizofrenia. Em todos os crimes, a incapacidade do indivíduo em lidar com as dores pessoais, provocadas por negativas ou críticas destrutivas por parte do outro, é latente.

Mas o que de fato chama atenção para tais práticas, é a reação da sociedade e dos governos diante dos massacres. Contextos que devem ser considerados estão sendo esquecidos propositalmente por alguns ou por puro desconhecimento ou ausência de uma reflexão mais profunda, por outros . Se analisarmos os países em que há maior incidência deste tipo de crime, entenderemos que o fator socioeconômico, é irrelevante para determinar ou ao menos se relacionar às causas. Alemanha, Canadá, Estados Unidos, são campeões em matéria de massacre de estudantes, países em que o desenvolvimento econômico é historicamente superior ao do Brasil.

Porém, o contexto sociocultural, e no caso do Brasil especificamente, somado ao contexto sociopolítico , são determinantes para se compreender não a motivação em si (uma vez que é individual e somente quem praticou o ato é que será ou seria capaz de explicar de forma contundente), mas o conjunto de fatos que influenciam, facilitam e ainda, por negligência, permitem que tais massacres aconteçam.

O padre Fábio, não compreende tais contextos, ou não os identifica como facilitadores ou influenciadores, já que para ele, a desestrutura familiar não se relaciona com a cultura dominante ou com o Estado e as negligências na execução de suas prerrogativas como poder público e administrador da sociedade. O Padre precisa compreender que existem inúmeros fatores que causam desestruturas em famílias, além da falta de uma religião. A própria educação moral da sociedade brasileira é violenta, machista, misógina, homofóbica, racista. Sendo o país um dos maiores redutos da fé cristã, crescemos sob a dominação da moral punitiva, excludente, severa. Logo, em famílias “estruturadas” sob esta moral, principalmente as famílias tradicionais e consideradas de “bem”, onde o modelo familiar é o da união hétero-cristã, a violência e o massacre são particulares, não publicizados ou não executados em forma de crime em massa. Sob este aspecto e considerando todos os estereótipos criados pela moral familiar hétero-cristã patriarcal da sociedade brasileira, o fator “educação familiar” como fundamento para a formação do caráter de um jovem, talvez se constitua o fator mais relevante como contribuição para a eclosão do ódio e matança.

Famílias que se negam a progredir em relação aos direitos coletivos, cultuadores de uma moral que segrega e ridiculariza pessoas diferentes, amantes do caráter violento que prega o culto às armas e usa a violência como resolução de conflitos, homens que submetem mulheres a agressão doméstica por crer em sua “inferioridade” de gênero, radicais religiosos que enxergam a homossexualidade como crime contra a natureza humana e uma lista infinita de posturas radicais, conservadoras e carregadas de discursos de ódio, são um celeiro para a projeção de inimigos imaginários, contra os quais, jovens incapazes de lidar com a própria dor , se constituem por assassinos impiedosos, com armas de fogo, machadinhas e bestas, como aqueles heróis dos jogos em que, se perderem, podem começar a jogar novamente, contrário do ceio familiar em que, negligenciados pela própria moral, a morte lhes cai bem.

Entra em cena então, o contexto sociopolítico. Sabemos que desde a queda da ditadura, é a primeira vez que a relação entre a população e o Estado tem experimentado (de uma perspectiva otimista), certa liberdade de expressão facilitada principalmente pelo uso massivo das redes sociais. Atualmente, é possível debater assuntos polêmicos e manifestar opiniões, independente se estas são consideradas politicamente corretas ou não e com a liberdade que provavelmente, nem em casa diante da família, é possível. Nas redes sociais e aí, concordo com o padre quanto a falta de diálogo familiar, substituído por tecnologia, podemos interagir em tempo real com pessoas de várias partes do Brasil e do mundo e falarmos de absolutamente tudo, inclusive em grupos fechados que atraem pessoas com a mesma ideologia ou filosofia de vida. E é neste momento que entra a responsabilidade do Estado, como administrador da sociedade constituída por forma e sistema de governo, leis e regras de conduta: O Estado tem cumprido suas prerrogativas a ponto de se não evitar, ao menos identificar possíveis condutas de risco dentro das escolas, nos bairros, nas cidades?

Quando cito o “Estado”, incluo todas as estruturas possíveis, que se submetam a sua gestão sob a propositiva de um Estado-nação. Inclusive a estrutura familiar. É dever do Estado combater todo o tipo de discriminação, preconceito, prática da violência. É dever do Estado aparelhar as escolas, os hospitais, as praças, as instituições de segurança pública, contra crimes de quaisquer naturezas, inclusive o crime contra a natureza. É dever do Estado, através das escolas, dos conselhos tutelares, e de diversas outras instituições que atuem diretamente como interventoras no processo de construção social, usar de todos os meios possíveis para se promover a conscientização sobre igualdade de direitos, direito à diferenças, a liberdade de escolha, para que assim promova harmonia e a segurança de todos.

Logo, o padre Fábio falou a partir de seu quintal, de sua criação, de sua moral religiosa. A igreja tem criado e fomentado um deus vingativo, é só ler as cartas deixadas pelo aluno em realengo. O Estado tem incitado à violência, tem cultuado as armas e tem pregado a morte de inimigos. Tem sido historicamente omisso no que se refere as estruturas das instituições públicas imprescindíveis para a atuação em casos de desestrutura familiar.

O padre Fábio, criou uma falácia.
Não repitam.
Marcia. Professora de História
Mestranda em Educação e Docência.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

A Eleição de Bolsonaro ... a novela brasileira que repercutiu no mundo todo...

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Desde 2012, tenho publicado aqui neste blog, vários textos a respeito do avanço da ultra direita no Brasil e no mundo.
E desde 2012, mais especificamente, a Europa tem sinalizado o crescimento dos partidos nacionalistas de extrema direita.
Na França, berço da Revolução Francesa por exemplo, partidos nacionalistas como o Le Pen, alcançaram votação expressiva nas eleições de 2012.
Já na Ucrânia, também em 2012, o partido Svoboda, de extrema direita, alcançou espaço político, convocando grupos sociais conservadores, com discursos nacionalistas e extremistas sob a bandeira anticorrupção. Conseguiram depôr o governo e dominaram o poder no país. 

Aqui no Brasil também passamos por algo parecido. Em 2013. Sob a bandeira dos "0,20 centavos", mobilizou-se uma grande manifestação por todo o país, a qual foi ganhando corpo a medida em que grupos políticos se aproveitavam para engrossar o coro dos "descontentes". Cheguei a postar neste blog uma análise bem primária sobre as manifestações, pois no olho do furacão, costumamos ficar míopes...Em um trecho de um dos textos, transcrito abaixo, chego a fazer uma espécie de "previsão", apesar  que estava tudo muito óbvio, mas  minha visão míope ainda não enxergava: 

 "Estão gritando nas ruas que chegou o tempo de mudança. Querem respostas...estão amadurecidos. Não querem continuidades mascaradas de rupturas...aquelas em que mudam personagens, mas o enredo é o mesmo.

O problema é a massa inculta que adere a movimentos espontâneos e sem critérios...movimentos estes que deturpam a originalidade da ação... causando reações perigosas, pois se transformam em "celeiros" para oportunistas.

Mais indignação, menos irresponsabilidade.

Pense antes de compartilhar frases, postagens que não representam realmente a voz desta manifestação."

texto pode ser lido na íntegra no link https://historiacorrente.blogspot.com/2013/06/que-e-massa-eu-seimas-se-e-de-manobraai_19.html#more


Mas, passado algum tempo, foi possível compreender quais foram as forças políticas que utilizaram-se de movimentos sociais e pautas legítimas, para promover um dos maiores golpes na história deste país. 

É complicado como historiadora, usar a palavra "golpe", mas aqui, não estou analisando os fatos como historiadora, estou usando-os para conceber uma visão política que se aproxime o máximo possível do contexto que estamos atravessando: a eleição de Bolsonaro. 

Pois bem. O que há em comum entre Brasil, Ucrânia, França, enfim, a Europa e os movimentos de extrema e ultra direita? Neste texto, vou chamar de maneira hollywoodiana, de "A Origem".  A questão é  que aqui, como sempre foi a "história" toda, quase todos os processos de ruptura ou continuísmo, se caracterizam pelo avesso. Se não são ao avesso, são aos trancos e barrancos. Se não aos trancos e barrancos, são a versão comédia das coisas sérias que acontecem no mundo.  Digo isto, me lembrando da nossa "Monarquia Constitucional" , da "extinção" da escravidão e o processo que a envolveu, a "proclamação" da nossa República e por aí vai,  porque se for pautar de Getúlio pra cá,  entraremos em pânico ao perceber que realmente somos muito atrapalhados em relação ao resto do mundo. 

Voltando à ascensão da direita e extrema direita na Europa e no Brasil, fato é que aqui, os grupos conservadores enxergaram no bipartidarismo PT X PSDB, o qual protagonizou uma luta ferrenha no legislativo e executivo, com anuência do judiciário, a oportunidade de chegar ao executivo nacional e colocar em prática todas as suas mais fantasiosas e nocivas ideologias, desde questões de gênero à movimentos sociais. Mas, como se deu tudo isso? Acredito que, enquanto Aécio, todo choroso e derrotado pelo PT em mais uma eleição, pirraçava e esbravejava contra Dilma no senado, e por outro lado o PT, vitorioso,  acima do bem e do mal, como se nada o abalasse além do incômodo choro alto do oponente, os direitistas foram se infiltrando e lançando ideias nacionalistas, anticorrupção e cheias de moralismos retrógrados, mas que atendem bem à sociedade provinciana que se constituiu desde o império. 

E foi neste contexto que, "A Origem", de maneira oportunista e considerando os acontecimentos lá fora, passou a influenciar e financiar tais movimentos. Criaram partido político e ganharam as redes sociais. Através das redes sociais, ganharam os jovens, esses pobres jovens analfabetos funcionais, que governos anteriores (todos eles) negligenciaram e não se preocuparam em formar consciência crítica e promover sua participação política. Através dos jovens, ganharam os pais dos jovens, esses também com formação precária e entregues à religiosidade, já que a geração de hoje, "só Jesus salva'. Foi uma espécie de jogo.  Todas as peças sendo alcançadas e derrubadas. E no final, conseguiram eleger, através de uma disputa patética e que até hoje não se explica do ponto de vista daqueles que possuem o mínimo de conhecimento sobre política, um ser amoral, conservador, desequilibrado, incapaz de produzir uma única frase sem cometer erros dos mais absurdos, com uma equipe completamente despreparada e perdida em todos os aspectos.  Elegeram um ser que se diz da "direita", mas que não é capaz sequer de traduzir  a própria ideologia a que se autodetermina. Um ser rodeado por filhos e grupos de militares que falam em "ideologia marxista", em "socialismo", em "ideologia de gênero", sem nunca ter tido o trabalho de ler um pequeno artigo que tratasse desses assuntos, para pelo menos falar algo que se aproximasse da realidade, fundamentando assim, mesmo que de forma precária, o que acreditam. Sem programa de governo. Sem participar de debates. Ameaçando vidas, grupos sociais desfavorecidos e minorias já tão oprimidas ao longo da história. Conseguiram eleger um fantoche. um Ventríloquo. 


Mas, "A Origem" não se importa com nada disso. Não se importam com gays, com negros, nem com marxismo ou comunismo. "A Origem" só enxerga nossas riquezas naturais, nosso petróleo, nióbio, água, ouro, minério, mão de obra, assim como enxergava o gás da Ucrânia. o petróleo da Líbia, da Síria, do Iraque. "A Origem" está preocupada com o avanço da China e Rússia no mercado internacional. 

Enfim, sinto vergonha da nossa direita. Chegaram a comparar o Bolsonaro a Hitler, mas ele não chega sequer a unha do dedão do pé do austríaco. Dissemos que ele é fascista, mas nem pra fascista ele serve. Fato é que a nossa direita, não é real. Ela é subserviente. Serve a quem serve alguém. E aí sim, esse "alguém', "A Origem", essa "organização" que nos submeteu a este golpe, a este governo patético, é ela que de fato preocupa. Porque esse "alguém" nem ideologia tem. Possui apenas conta bancária. E deseja dividendos. Deseja capital.  Bolsonaro é só um laranja... assim como o motorista dele, o Queiroz. Um laranja que, oportunamente, foi conduzido ao cargo mais importante da nação mais rica em recursos naturais do planeta, em nome da "direita", da religiosidade, da moral e "bons costumes". E assim como os demais fantoches de "A origem", Bolsonaro cairá, de maneira vergonhosa e entrará para a história como o político mais atrapalhado e patético da história do Brasil. 

só lamento, não por ele...mas por nós. 






" Gênero não é ideologia"...

           Interessante artigo que trata de questões relativas a expressão "ideologia de gênero". Essa expressão foi criada por grupos sociais conservadores para designar o que eles acreditam ser nocivo à crianças e adolescentes em idade escolar, atribuindo a prática de supostos estudos doutrinadores à favor da homossexualidade e também de práticas criminosas como pedofilia, por exemplo.
               O autor elucida com objetividade que questões de gênero não são ideológicas, portanto, não existe ideologia de gênero e sim estudos que buscam posicionar ambos os sexos para além do que se estabelece como heteronormativo dentro de uma sociedade, pois independente de sexo ou gênero e toda sua historicidade, o fator ser humano se sobrepõe e é ele quem deve nortear os direitos políticos, civis e sociais de todos. Por fim, trata da questão do respeito, da diversidade, da heterogeneidade que compõe a civilização humana, o que constitui violência todas as ações que se impõem baseando-se em uma concepção binária homem/mulher...no nosso caso, rosa/azul, como alega a tal ministra.
vale a leitura...


Do site café história ...

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